Direitos
reservados
No intuito de preservar a intimidade, conservando
o teor medíocre de minhas circunstâncias de homem do povo, penso seja
necessário adotar as seguintes providências.
Primeiro...
Muito me constrange vir a público
tomar o partido da verdade, que deveria bastar-se pelo alcance de seu valor,
dispensando terceiros da reiteração dessa amplitude, por acintosa
desnecessidade. Por isso, e tão somente por isso, reafirme-se: a verdade é, ou será
falsidade a se passar o que não é pelo que seja.
Depois...
Em defesa da inocência fulcral de
minhas moralidades, assumo de público a culpa de ter consciência das
consequências de meus atos. Fiz, portanto mereço responder por meus feitos.
Disse, assim nego o que disse. Ofendi, então que me acuse quem se atreva à recíproca.
Saibam, por conseguinte, que hei de defender minhas prerrogativas, uma vez que
ainda tenho guarda da minha imagem, porque estou em perfeitas condições de
controlar discursos, direitos e diplomas a meu respeito. Logo, lucrarei o que
for possível com o êxito da empreitada, a fim de preservar-me visível às
invasões de outrem. Afinal, eu posso. Se posso, terei poder. Se tenho poderes,
é porque os exerço com a plenitude de minhas posses. E que país ordinário seria
o Brasil se em suas fronteiras não imperassem a moral, a decência e a virtude,
ou, em suma, não houvesse a liberdade do controle. Se me quero limpo, ordeno a
higidez. Se me vejo puro, coordeno a honradez. Se atesto o incólume, faço
entender o que me apresento honrado, inocente, bem capaz de manter o que todas
e todos desta sociedade brasileira hão de compreender, desde que estejam aceites
as minhas mais sinceras desculpas, ainda que doa em mim acusar quem me
confronta. Sei de mim pelos meus defeitos, mas não recuo diante das liberdades,
a de outro e a minha. E assim, não julgo, mas digo, afirmo e confirmo: são
infelizes; e por infelizes, semeiam infelicidades. Como não me basta a mim sobreviver
infeliz, vou cobrar aos justos a reparação das minhas justiças. Por que aviltam
calúnias e mentiras? Pelas veracidades no que espalham. Se menti, menti em
causa própria. Se digo que menti, faço-o em nome da honestidade da minha
defesa. E se, porventura, há danos enquanto me defendo, irei mesmo perseverar em
minhas integridades física, psíquica, ética, social e econômica. Uma vez que
almejo multiplicado pelo justo o investimento empregado por mim nas
salvaguardas da minha honra, a minha única e íntima honra.
Enfim...
Terei atendido meu pedido de
obscuridade a me proteger da fama que degrada como mais um na praça, enoja como
outro a lucrar com o fácil, e amaldiçoa como pessoa condenada a censuras do
vulgo, ou isso ou apelarei à estupidez das ilicitudes, dado o meu desespero.
Sem mais, ciente de que dá fé ao que
está escrito, subscreve com o vigor da personalidade,
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 29 de outubro de 2020.