sábado, 29 de agosto de 2015

paul celan sepultado


quando não houvera fantasmas
fotografias tão caladas

onde havia pedras
flores murchas desse assombro

que houve por desassossego
água turva da memória

o que haveria a esse pouco
em quase nada

quem houvesse de?



(rodrigues da silveira, 2006)

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

o cosmo do bruxo


dizem aquelas ruas
noites que sabem a azul
essa miopia
a alumiar-se por dentro?

pensam a rotina como ferida
insanidade tão precisa
por contumácia
aquelas pegadas calçadas?

e por controlar-se
o siso desse sorriso
reina imprevisto?

essas luas em pelica
escritas como luva
por saber saborear-se?


(rodrigues da silveira, 2006)








domingo, 23 de agosto de 2015

farsante


assim andamos
à sombra de nossas sombras
olho de peixe
o caminho arde

sola no solo?

assim chegaremos
a nós aos nos perdermos

o ópio do ócio?

estrada ou pesadelo
à parte: infarte!


(rodrigues da silveira, 2006)

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

futuro outro


havia sobre a cama
um sentimento do mundo
me inoculava chamas
como estranhamento profundo
preto-e-branqueado despertador

no coração da razão desse ator
pena impróprio para consumo
escrevo-me terra flor e ciência
escarro-me sem resumo
como chuva de adolescências


(rodrigues da silveira, 2006)

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

em tempo


me cobre o jornal
o cerco
o combustível da guerra
uma terra comestível
na lona

avental nariz olhos
um palhaço
e pronunciados

me recobre
texto à tona
como sargaço

e te descobrem
monociclo motriz
mortal


(rodrigues da silveira, 2006)

sábado, 1 de agosto de 2015

antracomante


flor, palavra brotada
em terra soletrada
canta atonal
o lamaçal onde lavra
a larva da contenda

aroma vicejante
aspirante ao espasmo
como oferenda
me destraço
em textura de cão
em ternura de balão
lendo-me DNA
NDA algum

e molda esse vintém
essa coda a mimguém


(rodrigues da silveira, 2005)