quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Direitos reservados

 

Direitos reservados

 

No intuito de preservar a intimidade, conservando o teor medíocre de minhas circunstâncias de homem do povo, penso seja necessário adotar as seguintes providências.

Primeiro...

Muito me constrange vir a público tomar o partido da verdade, que deveria bastar-se pelo alcance de seu valor, dispensando terceiros da reiteração dessa amplitude, por acintosa desnecessidade. Por isso, e tão somente por isso, reafirme-se: a verdade é, ou será falsidade a se passar o que não é pelo que seja.

Depois...

Em defesa da inocência fulcral de minhas moralidades, assumo de público a culpa de ter consciência das consequências de meus atos. Fiz, portanto mereço responder por meus feitos. Disse, assim nego o que disse. Ofendi, então que me acuse quem se atreva à recíproca. Saibam, por conseguinte, que hei de defender minhas prerrogativas, uma vez que ainda tenho guarda da minha imagem, porque estou em perfeitas condições de controlar discursos, direitos e diplomas a meu respeito. Logo, lucrarei o que for possível com o êxito da empreitada, a fim de preservar-me visível às invasões de outrem. Afinal, eu posso. Se posso, terei poder. Se tenho poderes, é porque os exerço com a plenitude de minhas posses. E que país ordinário seria o Brasil se em suas fronteiras não imperassem a moral, a decência e a virtude, ou, em suma, não houvesse a liberdade do controle. Se me quero limpo, ordeno a higidez. Se me vejo puro, coordeno a honradez. Se atesto o incólume, faço entender o que me apresento honrado, inocente, bem capaz de manter o que todas e todos desta sociedade brasileira hão de compreender, desde que estejam aceites as minhas mais sinceras desculpas, ainda que doa em mim acusar quem me confronta. Sei de mim pelos meus defeitos, mas não recuo diante das liberdades, a de outro e a minha. E assim, não julgo, mas digo, afirmo e confirmo: são infelizes; e por infelizes, semeiam infelicidades. Como não me basta a mim sobreviver infeliz, vou cobrar aos justos a reparação das minhas justiças. Por que aviltam calúnias e mentiras? Pelas veracidades no que espalham. Se menti, menti em causa própria. Se digo que menti, faço-o em nome da honestidade da minha defesa. E se, porventura, há danos enquanto me defendo, irei mesmo perseverar em minhas integridades física, psíquica, ética, social e econômica. Uma vez que almejo multiplicado pelo justo o investimento empregado por mim nas salvaguardas da minha honra, a minha única e íntima honra.

Enfim...

Terei atendido meu pedido de obscuridade a me proteger da fama que degrada como mais um na praça, enoja como outro a lucrar com o fácil, e amaldiçoa como pessoa condenada a censuras do vulgo, ou isso ou apelarei à estupidez das ilicitudes, dado o meu desespero.

Sem mais, ciente de que dá fé ao que está escrito, subscreve com o vigor da personalidade,

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 29 de outubro de 2020.

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