quinta-feira, 18 de junho de 2026

Que sorte!

 

Que sorte!

 

Como corri fazer o que havia para fazer, fiz tudo pela manhã. Assim, às dezessete horas, eu estava sentadinho na minha poltrona. E assisti aos seis gols de Inglaterra X Croácia. Entretanto, as defesas do goleiro da seleção croata impediram que os ingleses conseguissem dobrar os quatro tentos que fizeram.

Tão logo o jogo terminou, e ainda encantado pela atuação de Harry Kane, fui pôr o lixo.

Eu saía do beco da lixeira quando Rafaela falou:

— Você soube que a Marinalva está nos Estados Unidos?

Ela ganhou um pacote que inclui hotel, refeições e ingressos para ver partidas da Copa.

— Carambolas! Como não fiquei sabendo disso?

— Azar o seu, já que nem zap você tem.

O que a sortuda fez para merecer esse prêmio? Pagou suas contas com a bandeira do cartão que ofereceu a tal promoção.

Marinalva tem sorte. Quando as Olimpíadas foram em Londres, ela viajou com tudo pago. Daquela vez, seu cupom foi tirado de uma pilha de milhares de compradores de uma rede de hipermercados.

Nem deu tempo para invejar a danada da sortuda, porque o Honório veio se juntar a nós.

— E o Messi, hein? Acabou com o jogo.

Rafaela disse que sim, que o argentino fez um belo jogo.

— E seus golaços? Foram três chutes tirando do goleiro. Daí foi só abrir os braços para ser ovacionado pelo público.

— O cara é mesmo um gênio da bola.

Eu queria falar da decepção com o Cristiano Ronaldo, mas a Aninha apareceu.

— Viram o jogaço?

Eu ia dizer que o Harry Kane tinha sido um furacão, mas a Aninha:

— O Vozinha fechou o gol de Cabo Verde.

Ao que foi dito pela Aninha, a Rafaela agregou:

— O Vozinha foi sensacional.

— O Vozinha tem que vir jogar na Portuguesa.

Nenhum de nós deixou de zoar a Aninha, porque aquele pedido era mesmo muito engraçado.

Eu disse:

— Aninha, você soube que a Marinalva foi ver a Copa ao vivo?

— Ela ganhou de novo?

Eu disse que a sorte dela era de outro mundo.

E o Honório:

— A sorte é tanta que ela até deixou o Jacinto aqui.

— Não viajou com o marido?

— Não, Aninha. Ela preferiu levar o seu personal trainer.

— Caraca! Quer dizer que o Jacinto ficou pra trás pra dar vez a um rapagão bombado?

— O Jacinto está sem pernas pra seguir a Marinalva. A correria vai ser daquelas. E toca ir pro estádio. E come x-salada sem mastigar. E vai de ônibus pro hotel. E pega avião pra outra cidade. — Eu disse.

Apressou-se a Rafaela:

— E acorda num estado. E vai dormir em outro.

O Honório deixou escapar:

— Upa-lelê!

Rafaela emendou de pronto:

— Ufa! Ufa! Isso sim!

E rimos ao sacarmos o tanto de “ufa!” que havia nisso.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 18 de junho de 2026.

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