segunda-feira, 28 de setembro de 2015


cabralino


não há como caber no cálculo
o calar-se?

não se há de fazer matemático
o materializar-se?

não saberá quanto pode em aspirina
o cantar do galo?

não dirá aonde ir ao cabo de si
no passo a seguir?

o que de lá para cá pensa
sabe-se a outra prensa

(rodrigues da silveira, 2006)


sábado, 26 de setembro de 2015


faxina


a algum é fácil
basta-se a abrir gavetas
reconhecer bugigangas
deitar fora essa roupas rotas

a mim me é difícil
bastar-me em fechar as mãos
recolher os cacos
deixar que me vistam trapos

como limpar o espírito
com a insipidez do amido?

(rodrigues da silveira, 2009)


sexta-feira, 25 de setembro de 2015





náufrago


o real
é silêncio a nos pensar
sobras em nós

a realidade
são palavras que sangram
ossos

é crueldade
sermos o irreal


((rodrigues da silveira, 2006)

terça-feira, 22 de setembro de 2015


entre nós


o menino aspirado
alma incomunicável?
arma automática

o menino fala demais
louco de pedra

o menino desarvorado
ainda é menino


(rodrigues da silveira, 2008)

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

raio


retrato o ator
máscaras escancaradas
sem lábios-lápis
sem sombra nos olhos
sem cobras na cartola

o sino, a pino:
aquela que não nos ignora
apavora?


(rodrigues da silveira, 2006)

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

sentido


retiro-me
sou madeira entalhada
e permanece a areia do amanhecer
olhares do aberto

reviro-me
sou o sal do salário
e assenta-se essa miragem de mim
página ao aberto


(rodrigues da silveira, 2009)

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

o horror


deserto em mim
tão desperto


(rodrigues da silveira, 2005)