na batucada
eis
o poço em que me abrigo
de
corpo inteiro na queda
não
é preciso um sol sustenido
ao
chumbo da saliva
o
musgo zunindo-se paredes
escapando
à escuridão
vem
desse ventre
vem
de baixo
corda
feita de lama
imundando-me
a
boca sangra
uns
fonemas malabares
palavras
sem língua
silva
o translúcido
quase
em harmonia
e
ensurdecido
(rodrigues da silveira, 2015)