Bom
dia! Chegou e-mail.
Ter
endereço eletrônico reconhecível não o isenta de arapucas. A entrada de correio
virtual é que nem coração inocente que não trava como porta de banco: farsantes
têm acesso irrestrito.
A
prudência adverte para precaver-se, uma vez que a identificação da pessoa como
remetente talvez não seja algo criterioso.
Quem
mandou o e-mail é a pessoa dada como remetente?
Se
for mesmo ela, é provável que as notícias sejam o de sempre: alguém da família
morreu ou falta grana pra pagar aquelas dívidas que nunca são quitadas.
Faz
anos que não se falam.
Seria
presunçoso identificar traços na escrita que permitam alguma segurança. Não dá
para afirmar quem tenha enviado o e-mail, porque escrever e despachar são atos
diferentes.
Apesar
das muitas chateações com bugigangas oferecidas sem ter necessidade e dos tantos
prejuízos por aceitar que ofertas imperdíveis são mesmo sedutoras, a
ingenuidade diz para confiar outra vez que a leitura da mensagem não provocará
nenhum revés.
Por
conhecer a pessoa há mais de cinquenta anos, a tolice faz crer que não verá o
vídeo de um gatinho peralta. Ela estará doente ou avisa que virá visitar-me?
Abrir
o e-mail... Apagá-lo...
Como
há muitos modos de lidar com o mundo, a curiosidade prefere que o e-mail seja
lido. Até porque hoje é feriado!
Eis
a mensagem:
Estive
doente.
Tive
a sensação de que estava muito mal, tanto que desconfiava de que escondiam de
mim o quanto eu realmente estava doente.
Fiz
exames, tantos exames. Foram desagradáveis, doloridos, e até bem invasivos. Alguns
foram feitos mais de uma vez.
Precisei
ir de médico em médico. Como se houvesse um mistério no meu corpo, tenho
sobrevivido às decepções.
Na
condição de paciente, percebi que não era somente o corpo que sofria, a minha mente
acompanhava ou agravava o que ele precisava que fosse visto. Certamente ambos —
corpo e alma —, em interação indivisível.
Estar
doente traz uma urgência que beira o insuportável.
A
falta de diagnóstico acelera o processo. Não ter um nome preciso provoca dores,
tonturas. Vomita-se tanto. O receio de que a comida vai causar mais sofrimento
abala a ponto de ter-se medo de dormir.
E
o que me exigem?
É
meu dever comer, dormir, medicar-me e, sobretudo, controlar-me. Manter-me
controlado! E pensar no corpo e na mente como agentes. Controlar a respiração para
que meu corpo doente e a minha alma não trabalhem contra mim. Que eu produza a harmonia
que me ajudará na cura do que nem sei o que é.
Que
curandeiros são esses!
Pra
que o caminho da doença pra saúde seja curto, é preciso querer a cura. Curar-me
de dentro pra fora, com a mente agindo pela cura, e de fora pra dentro, com
pílulas e sopinha. Tornar-se ativo no processo, acreditando na cura que a
palavra positiva gera positividade. Acreditar na transição do negativo para o
positivo, do péssimo para o excelente, do abominável para o adorável.
Aprendi:
crer é curar-se. Senti que aprendi: vou curar-me pela fé.
Fé
em quê, afinal?
Quando
a gente sente que o mundo não se compadece das nossas angústias, é neste
instante... Foi então que o universo me tocou. E me enviaram esta história que vai
comover você também.
“Um
homem tinha noventa e nove anos quando um dos seus filhos morreu num acidente
de carro.
Ele
ficou muito triste. A sua tristeza era tanta que os filhos temeram que o pai fosse
morrer.
Os
filhos trouxeram papel de seda e linha, cola e tesoura. O pai não quis fazer
bandeirolas. Mas os filhos cortavam de qualquer jeito e suas linhas eram de uma
só cor.
O
pai traçou retas num modelo, cortou as bandeirinhas, colou-as de modo aleatório
e cruzou as fileiras pelo quintal.
Vendo
o céu colorido, o homem compreendeu que o amor pelo filho morto e por seus
filhos vivos não tinha nada que ver com bandeirinhas baloiçando à brisa.
Ele
nunca mais fez bandeirinhas.”
Espero
que esta história tenha sido cativante como ela foi para mim. Espero que você
compartilhe esta história. Envie-a a cem pessoas que considera importantes na
sua vida. Mil vezes você será lembrada como a pessoa importante na vida de
tanta gente.
Confio
em você para que a corrente seja mantida.
Deus
saberá que você trabalha para o bem, pois os dedos da mão e o oxigênio na mente
são armas do bem.
Enviarem
uma corrente dessas depois de barrarem o Messias?
Deleto-a
sem dó, correntinha do caramba.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 01 de maio de 2026.