Lixo
marxista
Costumo disciplinar-me ao irrefutável
dos exemplos. Assim, recolho a prudência dos desvalidos que não dispensam como
lixo o descartável para restaurantes, lanchonetes e bares, além de carrinhos de
pastel ou garapa.
Para já, cônscio de minhas restrições
gástricas, pesquei um tema menos pesado. Ponderei especular sobre a proeminência
da anfisbena, cuja existência tomei conhecimento por meio de Jorge Luis Borges.
Borges? O visionário escritor portenho
que via no invisível a névoa traiçoeira, a que, embevecidos que somos por
muitas de suas miríades de filigranas, chamamos de realidade.
E um assunto mais outro... Quando me
dei conta de mim, as pegadas perderam-me por caminhos labirínticos. Acho até
que virei dublê de algum curupira, mas um de quatro pés.
A anfisbena? Melhor reservá-la para outro
banquete.
Também não vou me embrenhar a destacar
a relevância da marmita para quem come fora de casa nem palpitarei o quanto de riqueza
é gerado pelas mais de 170 mil microempresas que operam com as quentinhas. Que
tuítem os que têm estômago de avestruz.
Sem outras demoras, no intuito de municiar
com petiscos o Governo agora em vigor, direto ao fogo:
1.
“O segredo do sucesso é a honestidade. Se você conseguir evitá-la está feito!”
2.
“Atrás de todo homem bem-sucedido, existe uma mulher. E, atrás dela, existe a
mulher dele.”
3.
“Há tantas coisas na vida mais importantes que o dinheiro. Mas, custam tanto.”
4.
“Ele pode parecer um idiota e até agir como um idiota, mas não se deixe
enganar: é mesmo um idiota!”
5.
“Eu não frequento clubes que me aceitem como sócio.”
6.
“Inteligência militar é uma contradição em termos.”
7.
“Estes são os meus princípios. Se você não gosta deles, eu tenho outros.”
Serei leviano ao afirmar que as
iguarias acima constam de GROUCHO E EU, pois é livro marxista que não lerei. Para
dar fé das minhas intenções, recomendo que o famigerado volume seja comprado em
livrarias, sebos, bancas de jornal, mercados de esquina, e o escambau. Porque
levo muito, muito a sério alguém capaz de pôr em epitáfio uma frase dessas:
Perdoem-me
por não levantar.
Para que a ordem moral da nossa Nação
eleve o Moral da Ordem, fiquemos livres de envenenamento assaz repugnante.
É preciso olhar pelos próximos, porque
devemos protegê-los de muitos desses... intoxicantes.
Sem detença, brasileiras e
brasileiros: às batatas!
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, dia 10 de janeiro de
2019.
