Acontece
Interessa o ridículo de cada um? Serei
leve, pois dezembro é mês de felicitações, congraçamentos. Nada escreverei
sobre ombreiras plissadas nem sobre quem as usa. Com leveza, eu escolho seriedade
e responsabilidade.
Por certo, a mim me caberia lamentar a
separação de filhos e pais nos EUA, repudiando a crueldade dos homens diante da
esperança de imigrantes, ilegais ou não.
E o que acrescentaria ao que já foi dito
sobre as águas do Mediterrâneo a afogar sírios? A muitos é pungente o sal do mar
misturado ao das lágrimas, como quem grita pelo direito à vida e à dignidade? Ou,
ao contrário, ir lutar lá na Síria, de que lado seja? Ir para ou fugir de, há
calamidades que não dormem.
As leis continuam em vigor. O
cotidiano tem suas urgências. Mulheres e homens curtem gatinhos fofos. Muita
gente quebra a cabeça com o Natal. E o Ano Bom promete uma piscina de
novidades, cada uma mais espantosa que outra.
Sem ilusões, o mundo não quer saber o
que penso.
Diante dos protestos, o governo francês
desistiu do aumento da gasolina e do diesel. Entretanto, se o dinheiro do
aumento financiaria as mudanças de combustíveis fósseis para fontes menos
poluentes, não deveríamos apoiar Macron?
É direito protestar contra o aumento.
E também, é direito ir além dos combustíveis e querer debates sobre salário
mínimo e revisão de impostos sobre a aposentadoria.
É jogo jogado. Democraticamente,
jogado.
Misteriosa cabeça. Daí me vem um 13 de
dezembro. Há 50 anos o governo brasileiro, ditatorial, impôs como nosso dever o
combate à corrupção, com domicílio determinado, proibição de frequentar determinados
lugares, liberdade vigiada, cassações.
Tenho dúvidas.
O futuro ministro da Justiça irá, “após
investigação, decretar o confisco de bens de todos quantos tenham enriquecido,
ilicitamente, no exercício de cargo ou função pública”? E quais os “meios
indispensáveis à obra de reconstrução econômica, financeira, política e moral
do Brasil” que ele empregará para garantir “a autêntica ordem democrática,
baseada na liberdade, no respeito à dignidade humana”?
Enfim, no dia 04 de dezembro de 1993 Frank
Zappa morreu. Um cérebro a instigar-nos com discos, apresentações e humor.
Sobre jornalismo musical, Zappa disse que era feito por “gente que não sabe
escrever entrevistando gente que não sabe falar para gente que não sabe ler”.
E Brasília com isso?
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, 06 de dezembro de 2018.
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