terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Paciência com o andor


Paciência com o andor

Sem nenhum deus, aparelho ou governante que o detenha, janeiro segue o curso da sua jornada. Já é o oitavo dia do mês. 2019 cumpre com obrigações sagradas; para atravessá-lo, não entra na dieta oferecer fôlego de atleta. A nado ou de cabeça, isso compete a mim.
Estou de pé, com dores, a coluna anda desviada aqui e ali, fazendo bico. Assim, e de repente, cerro-me no meu olhar: um poema de quem nunca antes havia lido nadinha.
Uns fios de ovos menos desconhecida, Érica jogou-me na minha saudade do arroz que, na pressão do pouco sal desse outrora, alimenta-me o agora.
Tateando-me sem a expertise dos espertos, provo da papa. Como errei a mão, não é que acertei? Uma vez temperada minha rememoração pelo sal que os dedos não domesticam, e os olhos menos ainda. Vindo deste sempre que parecia estar dormente, dum veio emocionante, o choro é por amor a quem me faz menino, e de todo, presente.
Poeta Zíngano, minha irmã nesta viagem, de que modo usar a saudade?
Tenho um poema que gostaria de gestar em mim, sinto que tenho. E minha cabeça não vai colaborar com o estômago, pois corro o risco de indigestão.
Mal começado o ano, rotinas e rotineiros não abandonam o plantão, e vão conchavando as suas rendas, seguem aliciando novas presas, ajustando a máscara do futuro com um retrato já passado.
Porta que se abre, fecha-se. Já dizia a mãe do meu pai.
À vista do que virá depois da esbórnia do Momo?
Longe de mim não afiançar Rodrigo Maia na presidência da Câmara. No mundo, sem um lustro de dúvida, há um princípio que os políticos dominam com destreza ímpar, que é o de falar a mais cristalina verdade sobre todas as coisas.
Sábios em dar as melhores explicações plausíveis a quem estiver prestando atenção, às pessoas que seguem sem tempo de fantasiar o melhor dos mundos? Nem a esmola do porém.
Ocupado em viver, estou com vocês. Nem imagino com qual utopia revelar a realidade que não há. Mesmo porque, eu estou desconfiado que nada disso vem de graça.
Quando os pés são de barro, pessoal, o negócio é aprender de peito aberto, por isso não vou atrás do que não quero. Se não quero aos outros, por que haverei de querer para mim?
Sempre há tempo para aprender o importante. Assim como os Berry, caçadores lá do Missouri, nos EUA: num dia canta a bala; noutro, o Bambi.
É lição, mesmo a quem saudoso com notícia de outros dias.

Rodrigues da Silveira
Praia Grande, 08 de janeiro de 2019.

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