Infortúnios do conhecimento
Quero entender o instante. Dinâmica, a
estrada não para de passar pela porta da pessoa atenta ao momento, aquela que não
se deixa soterrar pela poeira da mesmice, colada ao rastro do esperado. À vera,
busco apreender para aprender a ler as pegadas. Nem sempre a história é escrita
por isso.
Já um dia estive em sala de aula, e lá
estive como aluno de outra demão. Equipado com um aparato instrumental propício
à cognição, caso houvesse alguém a me ouvir, entender-me ou tomar-me como parceiro.
Sou dessas camadas, professo.
Já um dia estive trabalhando à procura
de algum equilíbrio, o razoável, entre a manutenção e a inovação. Porque o
ensino, o tal do processo educacional, eis que não deve dispensar uma em
detrimento da outra, ambas vertentes do conhecimento. Para que se entenda e
aplique-se o que seja útil e provável de dar-se à utilidade, uma vez erguido na
busca do entendimento do que é dito, transformado em realidade. Ambas,
manutenção e inovação, se completam, daí a transmissão do conhecimento para o saber
a ser construído, vindo do feito ou do provável.
Já um dia quisera ter algo a dizer a
quem nem estava aí se é morto o Almeida. Na maior parte do tempo, entre a
surpresa e a dissimulação, estando eu num dos lados da equação, como sendo
minha a parte indivisível e ímpar, embora embasbacada e caipira, ao me admitir
atônito com a realidade. Proficiente.
Ou seja, veículo do conhecimento, o
professor educa ao ser educado. O lugar e o momento motivam à necessidade dessa
construção e de sua utilidade ─ concreta ou abstrata, física ou metafísica. Quem
educa, aprende. Quem aprende, educa.
Já um dia estive em mim, e mais
humano. Ignorante de que o material genético especificamente humano do homo sapiens sapiens não passa de um por
cento e meio (sic). Há, então, um
bicho híbrido em mim, essa mistura de vírus, bactérias e, até, ser humano.
Muita calma, assevero.
Já um dia Newton leu o mundo, diante do
Bufão com o vaso de tulipa nas mãos, orientou o Lorde para que se protegesse da
trajetória do bólide? Ou, à sombra da macieira, especulou sobre os eventos? Como
a vulgaridade ganha vidas, o Isaac da anedota segue emulado pela agilidade de
Chuck Jones para troçar dos coiotes do mundo.
Assim sendo, muito embora o mundo não
entre no homem pela mente, atreva-se a dominar o sono, escoteiro.
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, 02 de dezembro de 2018.
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