domingo, 2 de dezembro de 2018

Infortúnios do conhecimento



Infortúnios do conhecimento

Quero entender o instante. Dinâmica, a estrada não para de passar pela porta da pessoa atenta ao momento, aquela que não se deixa soterrar pela poeira da mesmice, colada ao rastro do esperado. À vera, busco apreender para aprender a ler as pegadas. Nem sempre a história é escrita por isso.
Já um dia estive em sala de aula, e lá estive como aluno de outra demão. Equipado com um aparato instrumental propício à cognição, caso houvesse alguém a me ouvir, entender-me ou tomar-me como parceiro. Sou dessas camadas, professo.
Já um dia estive trabalhando à procura de algum equilíbrio, o razoável, entre a manutenção e a inovação. Porque o ensino, o tal do processo educacional, eis que não deve dispensar uma em detrimento da outra, ambas vertentes do conhecimento. Para que se entenda e aplique-se o que seja útil e provável de dar-se à utilidade, uma vez erguido na busca do entendimento do que é dito, transformado em realidade. Ambas, manutenção e inovação, se completam, daí a transmissão do conhecimento para o saber a ser construído, vindo do feito ou do provável.
Já um dia quisera ter algo a dizer a quem nem estava aí se é morto o Almeida. Na maior parte do tempo, entre a surpresa e a dissimulação, estando eu num dos lados da equação, como sendo minha a parte indivisível e ímpar, embora embasbacada e caipira, ao me admitir atônito com a realidade. Proficiente.
Ou seja, veículo do conhecimento, o professor educa ao ser educado. O lugar e o momento motivam à necessidade dessa construção e de sua utilidade ─ concreta ou abstrata, física ou metafísica. Quem educa, aprende. Quem aprende, educa.
Já um dia estive em mim, e mais humano. Ignorante de que o material genético especificamente humano do homo sapiens sapiens não passa de um por cento e meio (sic). Há, então, um bicho híbrido em mim, essa mistura de vírus, bactérias e, até, ser humano. Muita calma, assevero.
Já um dia Newton leu o mundo, diante do Bufão com o vaso de tulipa nas mãos, orientou o Lorde para que se protegesse da trajetória do bólide? Ou, à sombra da macieira, especulou sobre os eventos? Como a vulgaridade ganha vidas, o Isaac da anedota segue emulado pela agilidade de Chuck Jones para troçar dos coiotes do mundo.
Assim sendo, muito embora o mundo não entre no homem pela mente, atreva-se a dominar o sono, escoteiro.

Rodrigues da Silveira
Praia Grande, 02 de dezembro de 2018.

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