sexta-feira, 1 de maio de 2026

Cem anos de solidão

 

Cem anos de solidão

 

Bom dia! Chegou e-mail.

Ter endereço eletrônico reconhecível não o isenta de arapucas. A entrada de correio virtual é que nem coração inocente que não trava como porta de banco: farsantes têm acesso irrestrito.

A prudência adverte para precaver-se, uma vez que a identificação da pessoa como remetente talvez não seja algo criterioso.

Quem mandou o e-mail é a pessoa dada como remetente?

Se for mesmo ela, é provável que as notícias sejam o de sempre: alguém da família morreu ou falta grana pra pagar aquelas dívidas que nunca são quitadas.

Faz anos que não se falam.

Seria presunçoso identificar traços na escrita que permitam alguma segurança. Não dá para afirmar quem tenha enviado o e-mail, porque escrever e despachar são atos diferentes.

Apesar das muitas chateações com bugigangas oferecidas sem ter necessidade e dos tantos prejuízos por aceitar que ofertas imperdíveis são mesmo sedutoras, a ingenuidade diz para confiar outra vez que a leitura da mensagem não provocará nenhum revés.

Por conhecer a pessoa há mais de cinquenta anos, a tolice faz crer que não verá o vídeo de um gatinho peralta. Ela estará doente ou avisa que virá visitar-me?

Abrir o e-mail... Apagá-lo...

Como há muitos modos de lidar com o mundo, a curiosidade prefere que o e-mail seja lido. Até porque hoje é feriado!

Eis a mensagem:

Estive doente.

Tive a sensação de que estava muito mal, tanto que desconfiava de que escondiam de mim o quanto eu realmente estava doente.

Fiz exames, tantos exames. Foram desagradáveis, doloridos, e até bem invasivos. Alguns foram feitos mais de uma vez.

Precisei ir de médico em médico. Como se houvesse um mistério no meu corpo, tenho sobrevivido às decepções.

Na condição de paciente, percebi que não era somente o corpo que sofria, a minha mente acompanhava ou agravava o que ele precisava que fosse visto. Certamente ambos — corpo e alma —, em interação indivisível.

Estar doente traz uma urgência que beira o insuportável.

A falta de diagnóstico acelera o processo. Não ter um nome preciso provoca dores, tonturas. Vomita-se tanto. O receio de que a comida vai causar mais sofrimento abala a ponto de ter-se medo de dormir.

E o que me exigem?

É meu dever comer, dormir, medicar-me e, sobretudo, controlar-me. Manter-me controlado! E pensar no corpo e na mente como agentes. Controlar a respiração para que meu corpo doente e a minha alma não trabalhem contra mim. Que eu produza a harmonia que me ajudará na cura do que nem sei o que é.

Que curandeiros são esses!

Pra que o caminho da doença pra saúde seja curto, é preciso querer a cura. Curar-me de dentro pra fora, com a mente agindo pela cura, e de fora pra dentro, com pílulas e sopinha. Tornar-se ativo no processo, acreditando na cura que a palavra positiva gera positividade. Acreditar na transição do negativo para o positivo, do péssimo para o excelente, do abominável para o adorável.

Aprendi: crer é curar-se. Senti que aprendi: vou curar-me pela fé.

Fé em quê, afinal?

Quando a gente sente que o mundo não se compadece das nossas angústias, é neste instante... Foi então que o universo me tocou. E me enviaram esta história que vai comover você também.

“Um homem tinha noventa e nove anos quando um dos seus filhos morreu num acidente de carro.

Ele ficou muito triste. A sua tristeza era tanta que os filhos temeram que o pai fosse morrer.

Os filhos trouxeram papel de seda e linha, cola e tesoura. O pai não quis fazer bandeirolas. Mas os filhos cortavam de qualquer jeito e suas linhas eram de uma só cor.

O pai traçou retas num modelo, cortou as bandeirinhas, colou-as de modo aleatório e cruzou as fileiras pelo quintal.

Vendo o céu colorido, o homem compreendeu que o amor pelo filho morto e por seus filhos vivos não tinha nada que ver com bandeirinhas baloiçando à brisa.

Ele nunca mais fez bandeirinhas.”

Espero que esta história tenha sido cativante como ela foi para mim. Espero que você compartilhe esta história. Envie-a a cem pessoas que considera importantes na sua vida. Mil vezes você será lembrada como a pessoa importante na vida de tanta gente.

Confio em você para que a corrente seja mantida.

Deus saberá que você trabalha para o bem, pois os dedos da mão e o oxigênio na mente são armas do bem.

Enviarem uma corrente dessas depois de barrarem o Messias?

Deleto-a sem dó, correntinha do caramba.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 01 de maio de 2026.

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