Café
sem pulgas
Quem for amigo que se explique no
cafezinho.
Porque ofensa e fofoca podem ser
resolvidas com um papo. Isso, porém, não ocorre com injúria, difamação e calúnia,
pois, nestes casos, o Código Penal entra em campo para multar ou condenar à
detenção, conforme o crime cometido.
Dito isto. Tomo por ofensa, sem dúvida,
o que fizeram com Marta, genial jogadora da seleção feminina de futebol.
Para não levar um olé, vou aos fatos.
Em 2007, Marta deixou a marca dos pés
e a placa sumiu. O pessoal da Calçada da Fama do Maracanã afirma que a
Melhor do Mundo, eleita por seis vezes, nunca teve a honra de ser entronizada entre cracaços
como Pelé e Zico.
Marta, a única mulher na Calçada, merece
a homenagem e tem todo o direito de ficar emocionada e nem falar no assunto do sumiço
da placa anterior. O importante é olhar para frente.
Pois bem, seguirei o exemplo da nossa
talentosa camisa 10 e não vou ficar de picuinha com os administradores do
estádio.
Espero de coração leve que arranjem
uma explicação que seja plausível a ponto do convencimento de todos nós. E
posso dizer que não jogarei com subterfúgios, torcendo ardilosamente para que
alguém venha a dar nome aos bois que perderam o registro que a Marta fizera
logo depois do ouro do Pan.
Aliás, a história lembra o sumiço
definitivo, até o momento, da taça Jules Rimet, que parece ter sido derretida.
O caneco foi levado por gatunos, em dezembro de 1983, da antiga sede da CBF, que
ficava na Rua da Alfândega, no Rio de Janeiro.
O curioso é que a nossa Jules Rimet
fora roubada em 1966, durante a sua exposição em Londres. Porém, dessa vez, houve
Pickles, o cachorro que achou a taça num jardim, embrulhada em jornal.
Por aqui, entretanto, nada de aparecer
um vira-lata para nos dar um jeito. Assim como a primeira placa da Marta sumiu
no ar, a taça do Tri virou saudade.
Sim, aquela saudade dos 90 milhões em
ação, da escalação do Dadá na seleção feita pelo Médici, do Milagre Brasileiro
e da inflação de 10,4%.
Opa! Um índice desses não dá saudade em
ninguém, muito menos na maioria dos 57 milhões de eleitores que levou o Jair,
que não é o Furacão da Copa, ao Planalto.
Admito que, como sou de esquecer em
quinze minutos o que fiz num quarto de hora, há coisas que, para não as repetir,
tenho de lembrá-las.
E, do nada, lembro-me do labrador que não
bebe café.
Dei a sua comida, Édipo?
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, 13 de dezembro de 2018.
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