Aula
de Português
De repente, não mais que de repente.
De repente, da calma fez-se o vento, e sobre o Rio de Janeiro desabou um
temporal com ventos de até 110 km/h e aguaceiro que, na Rocinha foi de 165 mm,
passou do volume previsto, bem acima da média de anos anteriores. Em horas,
mais do que em um mês.
Por solidariedade, repasso que o IBGE
informa que 444 mil cidadãos do Rio moram em áreas de risco de desastre
natural. Ressalto que houve o corte de 77% da verba utilizada em 2013 com
drenagem, saneamento, proteção de encostas, prevenção de enchentes. E realço
que o prefeito irá ao novo ministro
das Cidades, pois Crivella sabe um nada do ministério extinto.
Diante disso, prefiro mudar de
assunto. Deliberadamente.
E neste domingo, escolho me separar da
vereda trilhada por Vinicius de Moraes no seu belíssimo Soneto de Separação. E vou por outro caminho logo ao fim
do primeiro verso, que cala fundo em mim ao dizer que de repente do riso fez-se o pranto.
Tocado com o mundo que me cerca, do
soneto do Poetinha, fixam-me distanciamento, perda do contato, solidão,
tristeza. E estou precisando me afastar de tais sentimentos.
Entendo, hoje, que preciso recorrer à
alegria e à felicidade. Tanto sozinho quanto bem acompanhado. Por isso, amigas
e amigos, que os conforte o carinho desta mensagem.
Felicidade... De repente fez-se o
pranto?
Que bom que posso dizer umas
palavrinhas sobre a jornada de ir do riso ao pranto. Sentindo o que penso e
pensando o que sinto. Está assim, dividido e somado, para que o professor em
mim possa expressar o que se passa na minha cachola.
Como, por estes dias, são tantas as
notícias a me derrubar, fui levado a prestar atenção na quantidade de estudos
recentes sobre os danos provocados pelo consumo do que é veiculado nas redes
sociais. Prolongado e exagerado, este consumo.
Mesmo sem o perfil dos que ficam
antenados em memes de piadistas anônimos. Mesmo fugindo do mel que costuma
atrair os fanáticos ─ sejam eles ecologistas, economistas, moralistas,
politizados. Mesmo assim, devo cuspir o pirê da batatinha.
Puxa vida. Não seria bacana se o mundo
fosse do jeito que a mídia e a internet recortam. Eu, certamente, bateria no
peito ter esta vaidade besta de me exibir feito crônica. Soaria datado,
assinado com letra torta. Tão patético.
Nossa! Depois de linhas e linhas
tentando acertar o passo, só me resta espaço para externar apreço pela Mayra
Andrade, cantora que tenho visto e ouvido com gosto.
O que vibra em mim ao vê-la? A
cabo-verdiana interpreta-se como artista ao entreter o público, faz-se uma
representante de quem canta por vocação, todavia ao apresentar-se pela voz do
corpo todo, vai além. Radiante a sorrir, saltitar, dançar, indo ao encontro dos
fãs. O talento me encanta, à maravilha. Fugaz e pleno, o choro que é de
felicidade conecta-me ao que diz sua Lua.
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, dia 10 de fevereiro de
2019.