quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Vou para Maracangalha



Vou para Maracangalha

De cara, aviso que a ansiedade pede passagem. Por isso, a crônica especula em voz alta, mostra a sua garra e, se houver tempo, dá de comer na boca, que o medo está louco para virar pânico. Portanto, não vamos nos enganar em vão: do pânico a se descabelar pelo time errado é um passo ou um salto, que se quebra bem na hora em que a loja está fechando. Depois tem gente que acha que é implicância ou uma... coincidência.
O tarja preta, sem receita nem bula, salta do jornal O Globo desta terça, dia 05 de fevereiro. O colunista Carlos Andreazza preconiza como obviedade comparar o parlamento a empresa ou família. Concordo que o Congresso é composto de pessoas, discordo do jornalista, porém, quando avalia que, se a matéria humana, fresca ou curtida, é ruim, ainda que haja exceções, impossível será um conjunto bom.
Com camufladas presas draculinianas, na Brasília renovada, há raposas na pele de raposa que cantam novatas e novatos à ultrassecreta transfusão envelhecedora.
Não fosse a praxe, da Câmara e do Senado escutaríamos o clamor em tom menor com sabor do novo. Mas não vou pegar essa onda, para não perder a razão ao ouvir Malandra no lugar da ladainha das sereias palhacianas. Que ânsia!
Muitos conduzem a política ao previsível, às favas contadas, sem caixinha de música que mostre mula sem cabeça atuando como a Gilda, da Rita Hayworth. Mas na política, como em tudo mais, o abominável nem sempre gera o abominável.
Alimento o coelho cartomante da cartola, Alice?
Para minha própria danação, puxo do Solano Trindade que intelectual se acomoda sem reencarnar. Dou por mim que sinto escusável o medo que toma conta das respostas automáticas a me defender do que seja surpresa, ataque ou afronta. Olha que não exijo de mim uma autoridade na defesa. Diante do perigo, presença de espírito é: correr. Pelo que me amo, sebo!
Se a circunstância me afrouxa a perna curta, minha palidez espanta assombrações, fantasmas e outros aparvalhados, pois a esperança vence por medo de sucumbir no meio da rua. Nem arma de brinquedo eu porto na bolsa a tiracolo nem sei de cor algum versículo para amedrontar quem teme a ira dos céus.
Fiquemos com a bolsa. E com o celular, no bolso.
Que treco fundamental para a ordem democrática do mundo atual. Arrisco dizer que a paz entre as pessoas de boa vontade depende do imediato acesso ao pensamento contemporâneo. Sem dúvida alguma, as ideias são constantemente viralizadas nas diversas redes. Aí canta solto o sabiá. Que beleza!
Então, para negociar longe das postagens, o recomendável é bancar o pecador arrependido. Afinal de contas, entre gente de bens, tudo tem jeito. Como quem manda tem juízo, siga no samba: Mora na filosofia. Morou, Maria?
Antes que a imagem suma pelas entrelinhas, Anália, o azul da gravata do camarada ao lado do Rodrigo Maia é moda.

Rodrigues da Silveira
Praia Grande, dia 07 de fevereiro de 2019.

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