Vou
para Maracangalha
De cara, aviso que a ansiedade pede
passagem. Por isso, a crônica especula em voz alta, mostra a sua garra e, se
houver tempo, dá de comer na boca, que o medo está louco para virar pânico. Portanto,
não vamos nos enganar em vão: do pânico a se descabelar pelo time errado é um
passo ou um salto, que se quebra bem na hora em que a loja está fechando.
Depois tem gente que acha que é implicância ou uma... coincidência.
O tarja preta, sem receita nem bula,
salta do jornal O Globo desta terça, dia 05 de fevereiro. O colunista Carlos
Andreazza preconiza como obviedade comparar o parlamento a empresa ou família.
Concordo que o Congresso é composto de pessoas, discordo do jornalista, porém, quando
avalia que, se a matéria humana, fresca
ou curtida, é ruim, ainda que haja exceções, impossível será um conjunto bom.
Com camufladas presas draculinianas, na
Brasília renovada, há raposas na pele de raposa que cantam novatas e novatos à ultrassecreta
transfusão envelhecedora.
Não fosse a praxe, da Câmara e do
Senado escutaríamos o clamor em tom menor com sabor do novo. Mas não vou pegar essa
onda, para não perder a razão ao ouvir Malandra
no lugar da ladainha das sereias palhacianas. Que ânsia!
Muitos conduzem a política ao previsível,
às favas contadas, sem caixinha de música que mostre mula sem cabeça atuando
como a Gilda, da Rita Hayworth. Mas na política, como em tudo mais, o abominável
nem sempre gera o abominável.
Alimento o coelho cartomante da
cartola, Alice?
Para minha própria danação, puxo do
Solano Trindade que intelectual se
acomoda sem reencarnar. Dou por mim que sinto escusável o medo que toma
conta das respostas automáticas a me defender do que seja surpresa, ataque ou
afronta. Olha que não exijo de mim uma autoridade na defesa. Diante do perigo,
presença de espírito é: correr. Pelo que me amo, sebo!
Se a circunstância me afrouxa a perna
curta, minha palidez espanta assombrações, fantasmas e outros aparvalhados, pois
a esperança vence por medo de sucumbir no meio da rua. Nem arma de brinquedo eu
porto na bolsa a tiracolo nem sei de cor algum versículo para amedrontar quem
teme a ira dos céus.
Fiquemos com a bolsa. E com o celular,
no bolso.
Que treco fundamental para a ordem
democrática do mundo atual. Arrisco dizer que a paz entre as pessoas de boa vontade
depende do imediato acesso ao pensamento contemporâneo. Sem dúvida alguma, as
ideias são constantemente viralizadas nas diversas redes. Aí canta solto o
sabiá. Que beleza!
Então, para negociar longe das
postagens, o recomendável é bancar o pecador arrependido. Afinal de contas,
entre gente de bens, tudo tem jeito. Como quem manda tem juízo, siga no samba: Mora na filosofia. Morou, Maria?
Antes que a imagem suma pelas
entrelinhas, Anália, o azul da gravata do camarada ao lado do Rodrigo Maia é
moda.
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, dia 07 de fevereiro de
2019.
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