domingo, 10 de fevereiro de 2019

Aula de Português


Aula de Português

De repente, não mais que de repente. De repente, da calma fez-se o vento, e sobre o Rio de Janeiro desabou um temporal com ventos de até 110 km/h e aguaceiro que, na Rocinha foi de 165 mm, passou do volume previsto, bem acima da média de anos anteriores. Em horas, mais do que em um mês.
Por solidariedade, repasso que o IBGE informa que 444 mil cidadãos do Rio moram em áreas de risco de desastre natural. Ressalto que houve o corte de 77% da verba utilizada em 2013 com drenagem, saneamento, proteção de encostas, prevenção de enchentes. E realço que o prefeito irá ao novo ministro das Cidades, pois Crivella sabe um nada do ministério extinto.
Diante disso, prefiro mudar de assunto. Deliberadamente.
E neste domingo, escolho me separar da vereda trilhada por Vinicius de Moraes no seu belíssimo Soneto de Separação. E vou por outro caminho logo ao fim do primeiro verso, que cala fundo em mim ao dizer que de repente do riso fez-se o pranto.
Tocado com o mundo que me cerca, do soneto do Poetinha, fixam-me distanciamento, perda do contato, solidão, tristeza. E estou precisando me afastar de tais sentimentos.
Entendo, hoje, que preciso recorrer à alegria e à felicidade. Tanto sozinho quanto bem acompanhado. Por isso, amigas e amigos, que os conforte o carinho desta mensagem.
Felicidade... De repente fez-se o pranto?
Que bom que posso dizer umas palavrinhas sobre a jornada de ir do riso ao pranto. Sentindo o que penso e pensando o que sinto. Está assim, dividido e somado, para que o professor em mim possa expressar o que se passa na minha cachola.
Como, por estes dias, são tantas as notícias a me derrubar, fui levado a prestar atenção na quantidade de estudos recentes sobre os danos provocados pelo consumo do que é veiculado nas redes sociais. Prolongado e exagerado, este consumo.
Mesmo sem o perfil dos que ficam antenados em memes de piadistas anônimos. Mesmo fugindo do mel que costuma atrair os fanáticos ─ sejam eles ecologistas, economistas, moralistas, politizados. Mesmo assim, devo cuspir o pirê da batatinha.
Puxa vida. Não seria bacana se o mundo fosse do jeito que a mídia e a internet recortam. Eu, certamente, bateria no peito ter esta vaidade besta de me exibir feito crônica. Soaria datado, assinado com letra torta. Tão patético.
Nossa! Depois de linhas e linhas tentando acertar o passo, só me resta espaço para externar apreço pela Mayra Andrade, cantora que tenho visto e ouvido com gosto.
O que vibra em mim ao vê-la? A cabo-verdiana interpreta-se como artista ao entreter o público, faz-se uma representante de quem canta por vocação, todavia ao apresentar-se pela voz do corpo todo, vai além. Radiante a sorrir, saltitar, dançar, indo ao encontro dos fãs. O talento me encanta, à maravilha. Fugaz e pleno, o choro que é de felicidade conecta-me ao que diz sua Lua.

Rodrigues da Silveira
Praia Grande, dia 10 de fevereiro de 2019.

Nenhum comentário:

Postar um comentário