Paciência
com o andor
Sem nenhum deus, aparelho ou
governante que o detenha, janeiro segue o curso da sua jornada. Já é o oitavo
dia do mês. 2019 cumpre com obrigações sagradas; para atravessá-lo, não entra na
dieta oferecer fôlego de atleta. A nado ou de cabeça, isso compete a mim.
Estou de pé, com dores, a coluna anda desviada
aqui e ali, fazendo bico. Assim, e de repente, cerro-me no meu olhar: um poema de
quem nunca antes havia lido nadinha.
Uns fios de ovos menos desconhecida, Érica jogou-me na minha saudade do arroz
que, na pressão do pouco sal desse outrora, alimenta-me o agora.
Tateando-me sem a expertise dos espertos,
provo da papa. Como errei a mão, não é que acertei? Uma vez temperada minha rememoração
pelo sal que os dedos não domesticam, e os olhos menos ainda. Vindo deste
sempre que parecia estar dormente, dum veio emocionante, o choro é por amor a
quem me faz menino, e de todo, presente.
Poeta Zíngano, minha irmã nesta
viagem, de que modo usar a saudade?
Tenho um poema que gostaria de gestar
em mim, sinto que tenho. E minha cabeça não vai colaborar com o estômago, pois
corro o risco de indigestão.
Mal começado o ano, rotinas e
rotineiros não abandonam o plantão, e vão conchavando as suas rendas, seguem aliciando
novas presas, ajustando a máscara do futuro com um retrato já passado.
Porta que se abre, fecha-se. Já dizia
a mãe do meu pai.
À vista do que virá depois da esbórnia
do Momo?
Longe de mim não afiançar Rodrigo Maia
na presidência da Câmara. No mundo, sem um lustro de dúvida, há um princípio
que os políticos dominam com destreza ímpar, que é o de falar a mais cristalina
verdade sobre todas as coisas.
Sábios em dar as melhores explicações
plausíveis a quem estiver prestando atenção, às pessoas que seguem sem tempo de
fantasiar o melhor dos mundos? Nem a esmola do porém.
Ocupado em viver, estou com vocês. Nem
imagino com qual utopia revelar a realidade que não há. Mesmo porque, eu estou
desconfiado que nada disso vem de graça.
Quando os pés são de barro, pessoal, o
negócio é aprender de peito aberto, por isso não vou atrás do que não quero. Se
não quero aos outros, por que haverei de querer para mim?
Sempre há tempo para aprender o
importante. Assim como os Berry, caçadores lá do Missouri, nos EUA: num dia canta
a bala; noutro, o Bambi.
É lição, mesmo a quem saudoso com notícia
de outros dias.
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, 08 de janeiro de 2019.
