Madeira de lei
Há assuntos irrelevantes. Há assuntos que me deixam indiferente. Há maneiras odiosas de abordar determinados assuntos. Há ideias que desviam o foco quando se aborda um assunto. Há confusão de sentidos quando determinadas palavras me deixam bem perplexo ao pensar um assunto candente, daqueles que puxam, sacodem e dão um tranco, ou seja, pegam daquele jeito. Há muito assunto à espera de uma palavrinha que lhe abra caminho neste mundo de labirintos, encruzilhadas e becos sem saída.
Uma ponte ajuda. E como.
Assim, com isso na cabeça, tomo o rumo de juntar gravetos. Faço um dique. Abandono a construção. Poderia melhorá-la, porém o outro lado acaba submerso onde deveria estar à tona, e firme. Nem sei se posso falar que estou na margem oposta, pois, de fato, estou perdido. E bem cansado de fazer coisas inúteis. Como ir a milhão atrás do que fazer sem a mínima ideia do que fazer, apenas pelo impulso de agir.
Preciso começar a trabalhar com a mentalidade dos práticos, dos que fazem tudo com um objetivo, de quem, tendo a meta em mente, não perde tempo e ganha um dinheirinho. Afinal, leva tempo ganhar dinheiro, ainda mais com alguma coisa trabalhosa, cheia de detalhes, algo que valha a pena desde o princípio, e justamente pela canseira. Contudo, um guindaste, de tão pesado, afunda na lama da beira, fica impraticável sua movimentação e é preciso largar. Puxa vida, não foi desta vez, de novo.
Então, puxo o ar, paro, olho as condições, calculo ângulos, levanto os problemas, estudo com paciência as circunstâncias, vai dar certo. Dará certo: desde que aquilo funcione assim; aqui pode ser a base contanto que ali siga sendo assado; então, fico a par do que existe, do mais necessário, do que pode fugir ao riscado, do que vai pedindo correções enquanto vai sendo realizado, do que serve mesmo à coisa toda lá no fim da trabalheira. Oba. Desta feita, o que tinha de ser feito está de pé, funcionando que é uma beleza.
Olho a obra realizada, a produção imprescindível. Sorrio, ô glória.
Problema encontrado e solução implementada?
Como tudo que é humano, chega um momento, este momento, o instante em que o jeito é encarar a realidade. Mudanças ocorrem com ou sem planejamento, tendo previsibilidade ou fora do esperado, por acaso, pelo componente precário que nós humanos trazemos dentro da gente. Todavia, isso quer dizer...
Significa que inteligente é ter guardado os ensinamentos, não só do que deu certo. É preciso ter cabeça, pesar os prós e os contras. E daí bolar um dique, uma balsa, um bote, uma jangada, uma pinguela, uma boia, um colete, uma ponte, um submarino amarelo.
Só fica uma maçada se sair juntando palavra depois de palavra, ir assoreando o riozinho apenas para exibir o orgulho de ter vencido, ter chegado, finalmente, aonde queria.
Taí, bom mesmo é não bancar saúva com bico de tungstênio.
Rodrigues da Silveira
Ibiúna, dia 13 de outubro de 2020.