quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

O eco do futuro

 

O eco do futuro

 

Pelo apoio ao acordo entre Mercosul e Comunidade Europeia...

Pela língua de trapo quanto às dosimetrias...

Pela espantosa disputa de pênaltis entre Flamengo e PSG...

Por isso, pegando o touro à unha: fixo, estou tocado pelas angústias do nosso tempo.

Digo mais. Quiçá eu possa esclarecer: como já já será janeiro, deixo evidente o rastro do nosso interesse.

Pois, o que diz o vulgo?

ꟷ Tudo a seu tempo.

Pois, o que diz a Vulgata?

ꟷ Quod fuit, ipsum est, quod futurum est; quod factum est, ipsum est, quod faciendum est: nihil sub sole novum.

Em legítimo português castiço, entretanto, diz o Pregador:

ꟷ O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.

Para não passar a vergonha de ser ridicularizado por haver-me bem em minha infantilidade, dirijo-me a você, pessoa que ainda lê, sabendo que a barafunda aturde, indago-lhe:

ꟷ O que o tempo silencia?

Então, 18 de dezembro, você diz o que o resguarda.

Diz a Wikipédia que, em 218 a.C., na Segunda Guerra Púnica, em Trébia, Aníbal deu a vitória a Cartago.

Excluindo-se os inapetentes pra parar de andar com os caninos de fora, minha cachola nem tem ficha que houvera uma Primeira...

Diz mais a mesmíssima fonte: pela vitória dos revolucionários sobre o exército britânico, em Saratoga, em 1777, na América do Norte deu-se a primeira celebração do Dia de Ação de Graças.

Diz ainda a Wikipédia, a ela que não nos pouparemos de chamá-la velha de guerra, diz-nos que no dia 18 de dezembro de 2005, no Japão, em Yokohama, diante de 66.821 pessoas, com o tento de Mineiro aos vinte e sete minutos da primeira etapa, o amado clube brasileiro, o São Paulo Futebol Clube venceu o Liverpool, sagrando-nos tricampeões do mundo.

Pelos fatos assinalados, ser de memoráveis simpatias, faça o favor, Noel, tome siso do que pode embasbacar, justamente pelo solipsismo, ao nos engambolar.

Quando se der ao trabalho de desembrulhar-se numa resposta bem ponderada, pergunte o que traz à tona o que nos move. Isso que a nós torna a noite mais longa que as doze horas que aparentemente deviam perdurar. Então, a nós o senhor nos atenda:

ꟷ Qual será o presente que estamos a cobrar-lhe?

Para evitar que nos atirem ao abismo, como se fôssemos incapazes de amar quem nos esculhamba e encurrala, assumimos a empreitada de desentranhar o que ecoe sem que o glorifique à toa, Pai:

ꟷ Uma vez que alvíssaras sempre anunciam o que muito se espera, o Morumbis trema pela vinda do tetra, em 2027.

Por assim, maliciosamente tão lesto?

Pela razão de haver desconcerto entre Mercosul e Conselho da UE, pelo riso diante dos pênaltis batidos lá no Catar, pelo baixar do sarrafo quanto à anistia, tratada feito reduçãozinha de pena; ao exercitar meu direito de escancarar o meu na reta, digo o que espero dizer quando já vem o que me aguarda mais à frente:

ꟷ O moral do palhaço cresce a cara na torta.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 18 de dezembro de 2025.

Nenhum comentário:

Postar um comentário