Disciplinar-me ao irrefutável dos
exemplos faz-me acolher a cautela dos desvalidos que não dispensam como lixo o
que é descartável para restaurantes, lanchonetes, bares e carrinhos de garapa.
Fuço as gôndolas de supermercado; caço o
que o bolso alcança se a mão não tira o escorpião junto com gordura e sódio
condizentes com o que posso digerir sem maiores estupefações.
Para já, cônscio também das restrições
gástricas, pesquei um tema menos pesado para deleite de quem lê.
Na real, a rede de neurônios capturou uma
vibração, causada por uma palavra nova, coruscando estranhamentos.
Minha mente pulsava. Eu poderia
especular sobre a proeminência de anfisbena, cuja existência tomei
conhecimento por meio de Jorge Luis Borges.
Borges? Aquele Borges?
Sim, o visionário portenho que via no
invisível a névoa traiçoeira, à qual, embevecidos, sujeitamo-nos ao sem-fim de
miríades de filigranas que conhecemos por realidade.
Cabeça a cabeça, vou pela minha, que me
deleita ao pulsar.
Quando dei conta, as pegadas me enveredaram
por uns caminhos labirínticos. Não temi os chifres nem a espada. Quis o centro,
o Aleph. Fui adiante. Eu previa o monstro, que era mais que chifres e
habilidade com espadas, o monstro era feio.
Feiura por feiura, o espelho me acha no
banheiro.
Com cara de bobalhão que até entende
Arquimedes, acho que virei dublê de curupira a cruzar riachinhos. Não a figura
bem conhecida. Eu era um ser de quatro pés ─ dois para frente, dois para trás.
Para me perder no rastro que deixo na
caminhada, embrenho-me a salivar pelo prato feito, querendo mais que arroz com
feijão.
Penso, e palpito, sobre o quanto de
riqueza é gerado pelas mais de 170 mil microempresas que operam com as
quentinhas.
Que tuítem os que têm estômago pra
confronto besta.
Sem outras demoras, no intuito de
municiar com petiscos o Governo agora em vigor, jogo as luvas no fogo. Como
código, ordene-se:
1. “O segredo do sucesso é a
honestidade. Se você conseguir evitá-la está feito!”
2. “Atrás de todo homem bem-sucedido,
existe uma mulher. E, atrás dela, existe a mulher dele.”
3. “Há tantas coisas na vida mais
importantes que o dinheiro. Mas, custam tanto.”
4. “Ele pode parecer um idiota e até
agir como um idiota, mas não se deixe enganar: é mesmo um idiota!”
5. “Eu não frequento clubes que me
aceitem como sócio.”
6. “Inteligência militar é uma
contradição em termos.”
7. “Estes são os meus princípios. Se
você não gosta deles, eu tenho outros.”
Serei deveras leviano ao afirmar que as
iguarias acima constam de GROUCHO E EU, livro marxista que não lerei
integralmente.
Groucho Marx, dou fé das minhas honestas
intenções.
Que o famigerado volume fique empoeirando
em livrarias, sebos e bancas de jornal. Que os supermercados, os mercadinhos de
esquina e o escambau, nenhum queime o estoque pra agradar gente que lambe os
beiços diante de uma banana.
No mais, levo muitíssimo a sério a
pessoa que tem por epitáfio:
Perdoem-me
por não levantar.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna,
dia 28 de dezembro de 2025.
PS
– Para hoje, reescrita, eis a crônica publicada no dia 10/01/19.
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