domingo, 28 de dezembro de 2025

Lixo marxista

 

Lixo marxista

 

Disciplinar-me ao irrefutável dos exemplos faz-me acolher a cautela dos desvalidos que não dispensam como lixo o que é descartável para restaurantes, lanchonetes, bares e carrinhos de garapa.

Fuço as gôndolas de supermercado; caço o que o bolso alcança se a mão não tira o escorpião junto com gordura e sódio condizentes com o que posso digerir sem maiores estupefações.

Para já, cônscio também das restrições gástricas, pesquei um tema menos pesado para deleite de quem lê.

Na real, a rede de neurônios capturou uma vibração, causada por uma palavra nova, coruscando estranhamentos.

Minha mente pulsava. Eu poderia especular sobre a proeminência de anfisbena, cuja existência tomei conhecimento por meio de Jorge Luis Borges.

Borges? Aquele Borges?

Sim, o visionário portenho que via no invisível a névoa traiçoeira, à qual, embevecidos, sujeitamo-nos ao sem-fim de miríades de filigranas que conhecemos por realidade.

Cabeça a cabeça, vou pela minha, que me deleita ao pulsar.

Quando dei conta, as pegadas me enveredaram por uns caminhos labirínticos. Não temi os chifres nem a espada. Quis o centro, o Aleph. Fui adiante. Eu previa o monstro, que era mais que chifres e habilidade com espadas, o monstro era feio.

Feiura por feiura, o espelho me acha no banheiro.

Com cara de bobalhão que até entende Arquimedes, acho que virei dublê de curupira a cruzar riachinhos. Não a figura bem conhecida. Eu era um ser de quatro pés ─ dois para frente, dois para trás.

Para me perder no rastro que deixo na caminhada, embrenho-me a salivar pelo prato feito, querendo mais que arroz com feijão.

Penso, e palpito, sobre o quanto de riqueza é gerado pelas mais de 170 mil microempresas que operam com as quentinhas.

Que tuítem os que têm estômago pra confronto besta.

Sem outras demoras, no intuito de municiar com petiscos o Governo agora em vigor, jogo as luvas no fogo. Como código, ordene-se:

1. “O segredo do sucesso é a honestidade. Se você conseguir evitá-la está feito!”

2. “Atrás de todo homem bem-sucedido, existe uma mulher. E, atrás dela, existe a mulher dele.”

3. “Há tantas coisas na vida mais importantes que o dinheiro. Mas, custam tanto.”

4. “Ele pode parecer um idiota e até agir como um idiota, mas não se deixe enganar: é mesmo um idiota!”

5. “Eu não frequento clubes que me aceitem como sócio.”

6. “Inteligência militar é uma contradição em termos.”

7. “Estes são os meus princípios. Se você não gosta deles, eu tenho outros.”

Serei deveras leviano ao afirmar que as iguarias acima constam de GROUCHO E EU, livro marxista que não lerei integralmente.

Groucho Marx, dou fé das minhas honestas intenções.

Que o famigerado volume fique empoeirando em livrarias, sebos e bancas de jornal. Que os supermercados, os mercadinhos de esquina e o escambau, nenhum queime o estoque pra agradar gente que lambe os beiços diante de uma banana.

No mais, levo muitíssimo a sério a pessoa que tem por epitáfio:

Perdoem-me por não levantar.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 28 de dezembro de 2025.

 

PS – Para hoje, reescrita, eis a crônica publicada no dia 10/01/19.

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