Falar
do Danilo é falar de uma pessoa sem igual. Não que ele seja alguém que procura
se sobressair em tudo o que faz. Pelo contrário, o Danilo é o tipo de gente que
se destaca quando a gente é chamada a fazer um balanço de tudo que ele tem
feito de bom.
O
esforço acaba recompensando porque não há esforço. A gente é que descobre o
quanto foi beneficiado pelo bom homem que ele é. Pra gente, é natural ver que ele
nem quer ocupar o centro da sala.
Danilo,
a gente não olha pro tapete.
Todos
os dias a gente pisa sem ver, sem se lembrar da pessoa que o deu. A gente tem o
mundo pra ganhar. Então, a gente passa, vai em frente e o tapete continua lá, sempre
útil, enfeitando a sala sob o nariz da gente.
É
evidente que essa nossa indiferença é errada. A gente se justifica que tem sofrido,
que tem trabalhado duro. A gente diz que batalhou pra merecer o pão e a
mortadela.
Danilo,
onde que a gente come o sanduíche?
Na
sala, vendo TV.
Poxa,
eu sei, migalhas caem no tapete que você deu pra gente.
E
você não cobra da gente que o tapete dado seja limpo depois que os farelos caíram
porque não mastigamos de boca fechada. Você nem recrimina os meninos que não
tiram os tênis sujos de barro.
Danilo,
você sempre encontrará aberta a porta da nossa casa.
Desde
aquele aniversário da Samara. Foi naquele churrasco que a gente ganhou o amigo
decente que você é.
A
minha filha fez bem em convidá-lo, porque a gente nem sabia que podia contar
com um fotógrafo tão bom que nem você, Danilo.
A
foto que está na sala, você se lembra?
Aquela
foto linda da nossa família quem tirou foi você.
A
Samara nunca me disse que fez a tatuagem na batata da perna porque você a teria
incentivado. Tá na cara que nem preciso dizer que o desenho ficou muito bem na
minha menina.
Ora,
Danilo, todo mundo gosta do Sansão da Mônica.
Então,
não vou implicar com você sobre o que aconteceu já vão lá uns três anos. A
minha implicância é de agora, porque eu queria muito que você tivesse vindo
comer um pedaço do bolo que a minha patroa pediu naquela confeitaria que só
vende bolo.
Marinalva,
minha muito amada patroazinha, estava esperando que fosse você a pessoa certa
para ter batido a foto no momento em que ela cortava o primeiro pedaço.
Nem
vou dizer para quem seria o primeiro pedaço, pois é claro que ele era pra você,
Danilo.
Sabe
o que acho mais digno na sua pessoa? A camaradagem.
Pra
tirar foto de batizado? E foto da picanha do campeonato?
Eu
sei que o seu coração só conhece o bem. E eu nunca duvidei de que era você que
precisava usar o celular porque o modelo era mesmo sempre novo, e sempre cheio
de guere-guere.
Danilo,
você é um cara único, pois, afinal, quem mais leria a etiqueta de um tapete pra
descobrir que o mimo foi feito em Teerã?
Aliás,
Danilo, a única pessoa do meu conhecimento que faz questão de chamar o Irã de Pérsia
é você.
Meu
amigo, é claro que você já faz parte da família.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 10 de maio de 2026.
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