domingo, 10 de maio de 2026

O exibido

 

O exibido

 

Falar do Danilo é falar de uma pessoa sem igual. Não que ele seja alguém que procura se sobressair em tudo o que faz. Pelo contrário, o Danilo é o tipo de gente que se destaca quando a gente é chamada a fazer um balanço de tudo que ele tem feito de bom.

O esforço acaba recompensando porque não há esforço. A gente é que descobre o quanto foi beneficiado pelo bom homem que ele é. Pra gente, é natural ver que ele nem quer ocupar o centro da sala.

Danilo, a gente não olha pro tapete.

Todos os dias a gente pisa sem ver, sem se lembrar da pessoa que o deu. A gente tem o mundo pra ganhar. Então, a gente passa, vai em frente e o tapete continua lá, sempre útil, enfeitando a sala sob o nariz da gente.

É evidente que essa nossa indiferença é errada. A gente se justifica que tem sofrido, que tem trabalhado duro. A gente diz que batalhou pra merecer o pão e a mortadela.

Danilo, onde que a gente come o sanduíche?

Na sala, vendo TV.

Poxa, eu sei, migalhas caem no tapete que você deu pra gente.

E você não cobra da gente que o tapete dado seja limpo depois que os farelos caíram porque não mastigamos de boca fechada. Você nem recrimina os meninos que não tiram os tênis sujos de barro.

Danilo, você sempre encontrará aberta a porta da nossa casa.

Desde aquele aniversário da Samara. Foi naquele churrasco que a gente ganhou o amigo decente que você é.

A minha filha fez bem em convidá-lo, porque a gente nem sabia que podia contar com um fotógrafo tão bom que nem você, Danilo.

A foto que está na sala, você se lembra?

Aquela foto linda da nossa família quem tirou foi você.

A Samara nunca me disse que fez a tatuagem na batata da perna porque você a teria incentivado. Tá na cara que nem preciso dizer que o desenho ficou muito bem na minha menina.

Ora, Danilo, todo mundo gosta do Sansão da Mônica.

Então, não vou implicar com você sobre o que aconteceu já vão lá uns três anos. A minha implicância é de agora, porque eu queria muito que você tivesse vindo comer um pedaço do bolo que a minha patroa pediu naquela confeitaria que só vende bolo.

Marinalva, minha muito amada patroazinha, estava esperando que fosse você a pessoa certa para ter batido a foto no momento em que ela cortava o primeiro pedaço.

Nem vou dizer para quem seria o primeiro pedaço, pois é claro que ele era pra você, Danilo.

Sabe o que acho mais digno na sua pessoa? A camaradagem.

Pra tirar foto de batizado? E foto da picanha do campeonato?

Eu sei que o seu coração só conhece o bem. E eu nunca duvidei de que era você que precisava usar o celular porque o modelo era mesmo sempre novo, e sempre cheio de guere-guere.

Danilo, você é um cara único, pois, afinal, quem mais leria a etiqueta de um tapete pra descobrir que o mimo foi feito em Teerã?

Aliás, Danilo, a única pessoa do meu conhecimento que faz questão de chamar o Irã de Pérsia é você.

Meu amigo, é claro que você já faz parte da família.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 10 de maio de 2026.

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