Pelo
sangue, nenhum laço; pela cara de pau, siameses. Eles juntos sabem como
combater caruncho e gorgulhos afins.
Montariam
um negócio — uma borracharia. Num site, viram que o futuro é alvissareiro para
quem entra no mercado de carros voadores. Pelas figurinhas, eles captaram o
fundo: os pneus são caríssimos.
Fúlvio
procurou Danilo. E a dupla foi atrás do cara certo.
—
Nós dois pensamos. Bebemos só um café. Se a gente quer que o melhor
publicitário faça a melhor propaganda, só um nome iluminou a nossa manhã: o seu.
—
Cirilo, pagaremos o quanto você pedir.
—
Cirilo, estamos prontos pra pagar do jeito que for.
Cirilo
procurou na internet informações sobre o modelo mais falado do momento. O
veículo não usa pneus.
—
Meus amigos, pela consideração, eu topo.
—
Quanto você vai cobrar?
—
Mil reais.
—
Mil? Cê tá loco!?!
—
Cirilo, você precisa compreender o que está em jogo. Não vamos chegar nos
nossos investidores com essa proposta: o cara mais genial da publicidade fará a
nossa campanha por mil reais.
—
Campanha? Não é pra bolar só um slogan?
—
Campanha, sim, Cirilo. Nós dois queremos que você cuide dos filminhos da TV,
dos cortes da internet, dos panfletos de rua, das faixas das fachadas da Faria
Lima, dos botões de mochila e do sorriso gentil do Fúlvio.
—
Você é o cara que vai iluminar o futuro, Cirilo.
Cirilo
passou um café.
—
Quero cinquenta mil.
—
Cinquenta redondinho vai chamar a atenção.
—
Cinquenta e cinco também?
—
Cirilo, aceite sessenta. Tá OK?
—
Fúlvio, é muito cinco na jogada.
—
Pra desconfiarem só depois que tudo estiver feito, Danilo, arrume pra ele
sessenta e seis.
—
Tem que ser sessenta e um, Fúlvio.
—
Caramba! Vocês estão mesmo dispostos a pagar sessenta e um mil reais pelo meu
trabalho?
—
Cirilo! Você não sacou o quanto te valorizamos, irmão.
—
Estamos falando em sessenta e um milhões, irmão.
Sem
nenhuma selfie, o pacto foi selado com um cafezinho.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 14 de maio de 2026.
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