Patropi
premiado
O que penso. O que acho que penso. O que
eu sinto quando acho o que penso. O que penso quando acredito ter achado o que
tanto eu procurava. O que acontece comigo quando acabo encontrando o que eu nem
procurava.
O que eu faço quando nem sei o que vou
fazer?
Azeitar o ego. Embora minimizá-lo, ajude. A quem me conhece, é a minha marca pessoal ― o uso da terceira pessoa.
Podemos conversar sobre as tragédias
brasileiras, tão cotidianas, tão doridas. Poderíamos debater. Podíamos ter
dialogado até o limite, até que o tapa na cara nos leve aos tapinhas nas costas.
― É isso. A mão do dissenso é a mão do
consenso.
― Dialógico, dialético e diabético. Não
me furte o melodrama, que o meu corpo entra na conjuração.
― Melhor não meter açúcar nesta
história.
― Eu poderia dosar, se soubesse como.
― Para lá, para cá e um dedo acima do
chão.
― Um dedo abaixo.
― Maravilha! Atolar um dedo na lama.
― Para que os minerais façam com minha
pele o que não pagarei aos profissionais.
― Rejuvenescer sem botox.
― Sem rejuvenescimento. Falo de
levantar-me do lamaçal pra que as pessoas fiquem horrorizadas com o último
vilão.
― O último vilão! Ele nunca deixa de salpicar
o pântano dentro da nossa média.
― Um palpite de café, três joinhas de
leite e uma escarrada.
― A náusea dá o toque para demover
mundos.
― Se o mundo é nauseabundo, tiram-me os
óculos.
― Não desligo a tevê nem fecho as abas,
e engasgo.
― Ciranda, cirandinha?
O que nego. O que sinto quando acho que
consigo negar sem que me chamem hipócrita. O que acho quando creio ter negado o
que eu tanto queria negar. O que acontece comigo quando acabo negando o que nem
percebia enquanto lavo o rosto.
O que é confessado quando se admite que
a alegria depende de a pessoa alegrar-se tanto que já nem tira a moringa do sol?
― Sem gabolices, a moringa vazia é que faz
a diferença.
― Como essencial é recriar-se a cada dia,
a moringa da gente tem que ser bem tratada. Ela precisa do devido preenchimento.
― Nem pouca água nem pouco sol.
― Pra não mofar nem estorricar, a medida
certa.
― Se o milhão de moléculas satisfaz,
dobre-se o cobre.
― Porque o zilhão de toneladas consumiu
o Cauê, registre-se que a indignação drummondiana corre pelas casas, praças e
catedrais.
― Seremos drummondianos até quando Itabira
não contribua mais com minérios, mineiros e mineirinhos.
Com quais figurinhas carimbadas fica confirmado
que a seriedade do passado nunca negará que o álbum vai se completar amanhã?
― Indivíduos e indivíduas, vamos
combinar!
― Sim! Depois da Copa, delatemos uns aos
outros!
Rodrigues da Silveira
Ibiúna, dia 24 de março de 2026.
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