terça-feira, 24 de março de 2026

Patropi premiado

 

Patropi premiado

 

O que penso. O que acho que penso. O que eu sinto quando acho o que penso. O que penso quando acredito ter achado o que tanto eu procurava. O que acontece comigo quando acabo encontrando o que eu nem procurava.

O que eu faço quando nem sei o que vou fazer?

Azeitar o ego. Embora minimizá-lo, ajude. A quem me conhece, é a minha marca pessoal ― o uso da terceira pessoa.

Podemos conversar sobre as tragédias brasileiras, tão cotidianas, tão doridas. Poderíamos debater. Podíamos ter dialogado até o limite, até que o tapa na cara nos leve aos tapinhas nas costas.

― É isso. A mão do dissenso é a mão do consenso.

― Dialógico, dialético e diabético. Não me furte o melodrama, que o meu corpo entra na conjuração.

― Melhor não meter açúcar nesta história.

― Eu poderia dosar, se soubesse como.

― Para lá, para cá e um dedo acima do chão.

― Um dedo abaixo.

― Maravilha! Atolar um dedo na lama.

― Para que os minerais façam com minha pele o que não pagarei aos profissionais.

― Rejuvenescer sem botox.

― Sem rejuvenescimento. Falo de levantar-me do lamaçal pra que as pessoas fiquem horrorizadas com o último vilão.

― O último vilão! Ele nunca deixa de salpicar o pântano dentro da nossa média.

― Um palpite de café, três joinhas de leite e uma escarrada.

― A náusea dá o toque para demover mundos.

― Se o mundo é nauseabundo, tiram-me os óculos.

― Não desligo a tevê nem fecho as abas, e engasgo.

― Ciranda, cirandinha?

O que nego. O que sinto quando acho que consigo negar sem que me chamem hipócrita. O que acho quando creio ter negado o que eu tanto queria negar. O que acontece comigo quando acabo negando o que nem percebia enquanto lavo o rosto.

O que é confessado quando se admite que a alegria depende de a pessoa alegrar-se tanto que já nem tira a moringa do sol?

― Sem gabolices, a moringa vazia é que faz a diferença.

― Como essencial é recriar-se a cada dia, a moringa da gente tem que ser bem tratada. Ela precisa do devido preenchimento.

― Nem pouca água nem pouco sol.

― Pra não mofar nem estorricar, a medida certa.

― Se o milhão de moléculas satisfaz, dobre-se o cobre.

― Porque o zilhão de toneladas consumiu o Cauê, registre-se que a indignação drummondiana corre pelas casas, praças e catedrais.

― Seremos drummondianos até quando Itabira não contribua mais com minérios, mineiros e mineirinhos.

Com quais figurinhas carimbadas fica confirmado que a seriedade do passado nunca negará que o álbum vai se completar amanhã?

― Indivíduos e indivíduas, vamos combinar!

― Sim! Depois da Copa, delatemos uns aos outros!

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 24 de março de 2026.

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