Valha
sempre a intenção, pois o bem-intencionado dá propósito ao desejo de persistir,
e ele persiste porque tem em mente que o paraíso alberga quem dobra as
cobertas, ajeita os lençóis, e reclama, que lhe entreguem uma colcha, sendo
sábado.
Valha
ser um sujeito bem-intencionado, não outro cara desejoso de entrar no
refeitório, recusar café no leite, sentar-se onde queira e negar conversa com gente
que diga, pela eternidade inteirinha, tão somente a verdade, que sempre há de
ser domingo, sendo sábado.
Valha
ter conhecimento da situação, a zanzar, fingindo zanzar, indo atrás de quem lhe
fale a versão mais verídica, não indo atrás de gente que lhe aponte qual o
caminho da modéstia.
Valha
autoelogiar-se, pois, sendo pessoa modesta e paciente, não se deve deixar a
cama desarrumada, até porque o inferno tem lugar de sobra a quem jura que não
jura, nem em vão, porque o inferno acolhe, até, cobra que vive se comendo pelo
próprio rabo.
Valha
ser como aquele cara que não sorri à toa, só quando entende o subentendido do
que está dito, porque um camarada sério, sobre rir à toa ou pirar que joguem café
no leite, é boa-praça, é sujeito que troca de pele por conhecer o público que tem,
é cara que aplaude a plateia que se diverte a ouvi-lo e alegra-se que o vejam
como precisa ser visto, o justo que guarda sábados, não o domingo.
Valha
ser, pobre-diabo de autêntico comedimento, cobra criada que precisa de nova pele
a cada vez que precisa renovar-se, já, e sempre, em pele nova.
Valha
por responsabilizar-se pela cama, já bêbado de si, feito gente que pensa que é,
ainda que nem saiba que dia é, o entusiasmado que arde por mais outros sábados,
porque lhe basta seguir sendo quem é, a pessoa, tão somente, que ele pensa que lhe
seja permitido ser.
Depois
de tomar umas, ele se aborrece que o tratem feito figurante. Com tantas
verdades para dizer, ficar ao fundo? Que falta de simpatia. Mas, boa gente a
ouvi-lo quando fala sem constrangimentos, é sensato distribuir perdões. Com uma
história riquíssima, calamitoso é deixá-lo a dois passos do banheiro. Depois
vão dizer que vira todas, resmunga demais, é o chato que não dá folga, quando o
sábado é para gozar das boas coisas do mundo.
Mas,
o mundo tem que saber o quanto está radiante. Tal qual o sol que não tem
concorrente, brilhando feliz, despejando nas pessoas sua luz alvissareira, já que
o sol é amor, ele quer irradiar o amor.
Com
tanto amor, ele sabe que o paraíso está dentro de cada pessoa e, destemido, ele
fala sobre arrumar a cama antes de sentar-se para o copo de leite, e tomá-lo sem
pressa.
É
preciso amar, ser o sol àquele bar.
Ele
compartilha a razão para ter mudado de cargo. A mudança torna patente a
verdade: com salário maior, a pessoa tem mais inteligência. E todo mundo de inteligência
superior merece perceber o tanto que as suas preces estão atendidas.
Rodrigues da Silveira
Ibiúna,
dia 06 de novembro de 2025.
Nenhum comentário:
Postar um comentário