Urgente! São dez horas e cinquenta e
cinco minutos de um dia cujo único compromisso inadiável está agendado há trinta
dias, dali a cinco míseros minutinhos.
Sair de casa atrás de nuvens que
sinalizem catástrofe iminente não faz com que o mormaço creme cães, gatos e gente
afobada.
Olhando de perto, o afoito não passa de
um procrastinador, a quem a afobação nutre-se da ansiedade e a ansiedade provém
da barriga, já que é empurrando mais um tanto que se acumulam coisas por
resolver.
É agora! Preste-se atenção do outro
lado. Ninguém nota o motorista que solta o cinto. Não há quem repare que tem
algo nas mãos.
Putisgrila! O homem começa a sorrir já
estando próximo.
ꟷ Trouxe o convite pro meu casamento.
Putz! Estressante é posar de calmo enquanto
a mente tiquetaqueia.
Além do anúncio das núpcias, são onze em
ponto!
Calêndulas! Buganvílias! Miosótis!
Com a manipulação das forças psíquicas
que se manifestam como natureza humana, até onde for permitido especular a
respeito, o sujeito à beira de piripaque traz na tez as suas dissonâncias
cognitivas.
Uma vez revelados as suas cores, as suas
dores e os seus amores, bom é nem dar ouvidos a quem só fala que a vida vai mal.
Ai viola, bela viola, cuja beleza nada
tem de sonolenta.
Pelo que erra quando acerta, a pessoa
tem discussão desgastante consigo mesma se acha que tem certeza de que está
errada.
Vamos! Coma pipoca com sal a gosto.
Evoé! Lamba no dedo o salgadinho bom da
vida.
Ai aspirinas! No canto obscuro do
espírito, a alma silente descubra que o manto do mundo encobre mágoas e feridas.
Quem não se satisfaz com as respostas,
escreve.
Valha o escrito: que belo astral tem a
manhã.
Cronologicamente, segundo o estimado por
entendidos em ciências astronômicas, o Sol aquece o campo a partir das horas tantas.
Cosmicamente, o guri beija sua mamãe sem
ligar para fotossíntese, economia verde e transição de gênero.
Cáspite! O Sol faz crescer girassol, pé
de cana e a luneta que espia a loira nua na casa do fim da rua.
Sim! O Sol nasce. O Sol desce. O
crepúsculo ofusca.
Vem a noite dizer a quem sofre que nem
bebendo a dor passa. Vem a madrugada dar paixão a quem ama tanto o que deseja.
Vem a aurora acordar um bicudo no peito de quem desperta sozinho.
Calma!
Fulano trinca enquanto a balada come
solta.
Fulana quer briga porque beltrano pulou
a cerca.
Se sicrano ama calabresa, pode muito bem
amar lasanha.
Sim! O Sol sobe. O Sol brilha. O Sol não
murcha.
Nervosinho, pra não acabar em frangalhos,
vá à feira, coma pastel, sinta o gosto. Telefone pra quem faz tempo não lhe ouve
a voz. Visite quem não desespera à toa. Recorde histórias hilárias, pois é raro
quem não goste de rir. Vá mesmo à feira, vá comer pastel, mas, por gentileza, espere
o troco, saiba esperá-lo.
Com tudo certo, tem algo errado? Pode
ter conserto.
Nervosinho, nem todo mundo que erra na
conta quer sua desgraça.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 07 de março de 2023.
Nenhum comentário:
Postar um comentário