terça-feira, 7 de março de 2023

Nervosinho

 

Nervosinho

 

Urgente! São dez horas e cinquenta e cinco minutos de um dia cujo único compromisso inadiável está agendado há trinta dias, dali a cinco míseros minutinhos.

Sair de casa atrás de nuvens que sinalizem catástrofe iminente não faz com que o mormaço creme cães, gatos e gente afobada.

Olhando de perto, o afoito não passa de um procrastinador, a quem a afobação nutre-se da ansiedade e a ansiedade provém da barriga, já que é empurrando mais um tanto que se acumulam coisas por resolver.

É agora! Preste-se atenção do outro lado. Ninguém nota o motorista que solta o cinto. Não há quem repare que tem algo nas mãos.

Putisgrila! O homem começa a sorrir já estando próximo.

ꟷ Trouxe o convite pro meu casamento.

Putz! Estressante é posar de calmo enquanto a mente tiquetaqueia.

Além do anúncio das núpcias, são onze em ponto!

Calêndulas! Buganvílias! Miosótis!

Com a manipulação das forças psíquicas que se manifestam como natureza humana, até onde for permitido especular a respeito, o sujeito à beira de piripaque traz na tez as suas dissonâncias cognitivas.

Uma vez revelados as suas cores, as suas dores e os seus amores, bom é nem dar ouvidos a quem só fala que a vida vai mal.

Ai viola, bela viola, cuja beleza nada tem de sonolenta.

Pelo que erra quando acerta, a pessoa tem discussão desgastante consigo mesma se acha que tem certeza de que está errada.

Vamos! Coma pipoca com sal a gosto.

Evoé! Lamba no dedo o salgadinho bom da vida.

Ai aspirinas! No canto obscuro do espírito, a alma silente descubra que o manto do mundo encobre mágoas e feridas.

Quem não se satisfaz com as respostas, escreve.

Valha o escrito: que belo astral tem a manhã.

Cronologicamente, segundo o estimado por entendidos em ciências astronômicas, o Sol aquece o campo a partir das horas tantas.

Cosmicamente, o guri beija sua mamãe sem ligar para fotossíntese, economia verde e transição de gênero.

Cáspite! O Sol faz crescer girassol, pé de cana e a luneta que espia a loira nua na casa do fim da rua.

Sim! O Sol nasce. O Sol desce. O crepúsculo ofusca.

Vem a noite dizer a quem sofre que nem bebendo a dor passa. Vem a madrugada dar paixão a quem ama tanto o que deseja. Vem a aurora acordar um bicudo no peito de quem desperta sozinho.

Calma!

Fulano trinca enquanto a balada come solta.

Fulana quer briga porque beltrano pulou a cerca.

Se sicrano ama calabresa, pode muito bem amar lasanha.

Sim! O Sol sobe. O Sol brilha. O Sol não murcha.

Nervosinho, pra não acabar em frangalhos, vá à feira, coma pastel, sinta o gosto. Telefone pra quem faz tempo não lhe ouve a voz. Visite quem não desespera à toa. Recorde histórias hilárias, pois é raro quem não goste de rir. Vá mesmo à feira, vá comer pastel, mas, por gentileza, espere o troco, saiba esperá-lo.

Com tudo certo, tem algo errado? Pode ter conserto.

Nervosinho, nem todo mundo que erra na conta quer sua desgraça.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 07 de março de 2023.

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