quinta-feira, 23 de março de 2023

De novo, o amor

 

De novo, o amor

 

Na vida, tem hora que gangorra diverte mais que escorregador.

Eis que o Luisinho me aparece num momento oportuno. No instante em que me acho suspenso na ânsia de encontrar um título pra crônica acabada de ser escrita, muito me alegra contar com esta sua vocação infantil pra dizer a coisa errada com as palavras certas.

Tão logo termino de ler, pra realçar a essência do texto, emendo:

ꟷ Verdades necessárias e outras nem tanto.

ꟷ Tolices necessárias e outras besteiras, replicou de pronto.

No sobe e desce da nossa conversa, argumento que há títulos que precisam revelar o conteúdo, sendo desaconselháveis a burla, a ironia, o apelo a razões sentimentais.

Uma vez que o engenho de jogar-se à compreensão do sutil cabe a quem lê, menos problemático é precaver-se das leituras enviesadas, pois nem toda gente filtra o humor pelas dissonâncias.

ꟷ Em time que está perdendo, se mexer, piora.

ꟷ Nada sai do vermelho pro azul se não houver mudança.

ꟷ Nem é necessário comparar Elis Regina com MC Pirralhinha para sacar que o saldo é evidentemente positivo.

ꟷ Pra quem lucra com isso, é evidente mesmo.

ꟷ Quando se perde, é fácil espinafrar. Difícil é lutar para vencer. Se a prioridade é sair do vermelho, que sejam feitas tantas trocas quanto forem necessárias, até que a vitória ocasional principie uma série feliz, com resultados consistentes, sem que a desconfiança atribua o êxito ao acaso, como se a sequência fosse um soluço que não passa, como se a trajetória azul fosse uma ilusão reconfortante, algo que alegra que nem bolhas de sabão soltas ao vento.

ꟷ Concordo! Bolhas duram mais longe dos espinhos, né?

ꟷ Não seja xarope. Pois as transformações baseadas em certezas mostram perseverança e segurança de quem caminha rumo ao pódio. Sem obsessão pela vitória, o vencedor nem merece levantar o caneco. Como o vitorioso avança a cada conquista, a cada disputa vencida, ele não hesita, toca em frente. Corre o mais rápido que pode, salta o mais alto que possa, nada o quanto aguentar. Quem não esmorece que trate de corrigir falhas, minimizar deficiências, superar-se a cada embate. O que está em jogo não é apenas a medalha de ouro que é dar entrevista, arrisca-se pelo mérito de saborear a glória neste instante. Até porque não há futuro pra quem luta pelo reconhecimento agora.

ꟷ Taças são joia valiosíssima!

ꟷ Quem não ama uma tacinha de campeão?

Radamés e Verônica sabem que se amam desde que começaram a namorar, nos tempos do colegial.

Este ano o casal vai comemorar bodas de pérola. Não haverá festa de arromba nem fotos e mais fotos nessas redes por aí.

Com a consciência de que a maçã do amor que irão saborear a dois pode mesmo ser comparada a taças vistosas numa galeria de prêmios inoxidáveis, ela e ele sabem que o fruto deste amor está bichado pelas pessoas que o almejam, o desejam reluzente.

ꟷ Mordam-se, amadores!

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 23 de março de 2023.

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