domingo, 18 de setembro de 2022

Ontem, hoje e domingo

 

Ontem, hoje e domingo

 

Pensei que ontem fosse sábado, mas estava enganado.

Dormi muito mal a noite passada e igualmente a noite anterior, mal à beça. Imagine como estou, bem mais confuso do que ontem. Embora tenha hoje amanhecido normalmente outro domingo, estou mal.

Acordei ainda no dia anterior ao domingo. Nada mais lógico do que estar xarope, ainda pensando na vida que poderia ter vivido. Se ontem fosse sexta e não sábado, embora tenha ido dormir na quinta achando que conseguiria acordar menos exausto.

Zureta, checo no celular qual será o dia de hoje. Não me surpreende a folhinha, ela marca que o dia primeiro do mês foi quinta. Me esqueci de procurar qual é o dia corrente.

Cacilda! Estou condenado a me arrepender de ter acordado um dia antes, ainda no sábado, mas antecipo que Jimi Hendrix morreu no dia 18 de setembro de 1970.

Que inferno! Bem que eu queria ter dormido setenta e tantas horas. Precisava muito ter pulado da quinta pro domingo. Acordaria sabendo que era domingo, e fugiria à desordem de tirar o tempo pelo espaço.

Como fusquinha de encontro ao muro, vejo no telefone que a cama não viaja nos céus. Quero mil e uma histórias, ou a noite seguirá presa na garrafa, ou fora do tapete, ou, muito pior, debaixo dele.

Me custa crer que o domingo será ontem quando for amanhã. Como espero que o futuro venha a ser o amanhã, que o domingo continue no calendário de 2022 um dia antes do dia 19, que será segunda-feira.

Fico mal, pois o país continua à espera. Haverá domingo depois de sábado. Fico doido para dormir a tarde toda. Pelo menos a tarde deste sábado, conforme pus nos meus planos. Decididamente quis, pois para mim: hoje não é sábado, já é domingo.

Sonado, mais essa!, me distraio que é coisa louca.

Quando passo a noite a abrir livro e fechar livro, sem pegar firme na leitura, misturo Lobo Antunes com Saramago, e isso não se faz.

Quando me lembro de que um ao outro se bicavam, este com Nobel e aquele sem, como galos na rinha de egos, sinto que extrapolo.

Não pensei no centenário do Saramago, que será em novembro. E não visualizei o Pepetela e o Lobo Antunes a cumprimentarem-se nas fotos de algum evento.

Nem tanto ao perdão nem tanto à desculpa?

Se li pouco nessa sexta, sem o gosto de ter lido algo marcante, sei que muito me amolo a querer lembrar o que teria posto aqui se o gosto de ter lido não fosse o que mal abri, interrompi e esqueci.

Digo que fiz.

Não sou metódico tampouco original, não dou por origem o mal que me destinam as estrelas. Digo que escolho o que posso ter sentido, ou que houvesse percebido. Porque nem soube que tinha escolhido o que outrora me foi apresentado como escarrado no cuspido, cumpro o meu dever de respeitar direitos.

Mesmo sendo domingo? Sei a razão desse mal? Entre Tancredo e Maluf, sempre sobra o Sarney? Sinto que o Hendrix veio a mim por que não soube me controlar?

É confuso pacas, eu sei.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 18 de setembro de 2022.

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