Direito
de resposta
Hora da janta. Mas, quede que a lâmpada
acenda?
Ainda ontem passei pelo mesmo perrengue,
e me fiz a mesmíssima promessa, pois me compromissei comigo que resolveria.
Como desmazelos desabonam, reforço a
credulidade em mim e vou efetivamente dar jeito na coisa, de amanhã não passa.
Posso culpar a vida contemporânea que
torna insuficientes as vinte e quatro horas. Que o dia tivesse mais horas, isso
ajudaria.
Não vou calcular quanto a mais seria
necessário, pois o tempo que se mede pela produtividade também se mede pela
afetividade.
Falo por mim como se falasse uma verdade
apreensível a qualquer pessoa, pois puxar sambas à boca da churrasqueira é voar
a tarde pra noite. Poxa, quede a Jovelina que está faltando cantar?
Para que o salário não termine antes do
final do mês, que os preços sejam pesquisados, seja confirmado o estoque em
loja a uma pernada breve, seja a lâmpada comprovadamente durável.
Ter internet no telefone ajuda a
encontrar loja, preço e tipo, contudo celular algum põe funcionários socorrendo
relapsos com problemas de última hora. Putz, quede emergência durante o
expediente?
Se bem que o gás geralmente acaba com o arroz
no fogo. Todavia, há que se perdoar quem não tem que se preocupar com botijão
trocado quando é preciso. Aliás, não reclamo de barriga vazia, porque lâmpada
que não acende é o problema que chateia neste instante.
Ao longo do dia, não fiz da troca de
lâmpada um assunto premente. Cuidei do que tinha pra me ocupar. Fiz os serviços
que tinha pra fazer. Do supermercado, trouxe pãozinho e leite. Peguei fila,
paguei contas e fiz aposta numa lotérica. Parei à porta dos comércios, porque a
eleição é papo que não dá pra evitar. Caraca, quede que não se ilumina quem
mais precisa de luz nesta hora?
Cá pra nós, que os radicais não nos
puxem pelo pavio curto, só que olhar o céu pra afirmar em quais condições
estará o tempo no domingo é coisa que não faço.
Não sei qual é a previsão do tempo pra
domingo, entretanto sei que há computadores processando os dados coletados por vários
satélites, privados ou públicos, de diferentes tamanhos, com lentes de recursos
variados, mantidos em órbita pois são interessantes não só a ufólogos, porém,
principalmente, a agricultores, pecuaristas, geólogos, biólogos, ecologistas,
ambientalistas, militares, civis e muito mais gente de áreas que nem me ocorre especificá-las
agora.
Estou de volta ao meu agora ao qual me
volto.
A este presente, de escuridão porque deixei
de ir comprar lâmpada na loja que fica a um quarteirão de casa, é por ele que
devo responder e responsabilizar-me.
Quede que me faço útil pra enxergar o
que janto já que de noite não tem sol mas tem luz vindo da rua?
Como sempre eu faço o melhor que posso,
amanhã mesmo vou dar um pulinho na loja. E substituirei a lâmpada queimada,
pois com minhas mãos porei a nova.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 27 de setembro de 2022.
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