Dez
e pouco da manhã, eu estou com a cabeça pousada nas mãos, sem pressa pra lidar
com e-mails. Tenho tempo, é segundona.
Muita
gente não gosta das segundas-feiras, todas elas. Depois do descanso que o
domingo proporciona, melhor nem lembrar que terá o chefe exigindo celeridade
nisso, naquilo, em tudo mais.
A
mágica acontece. Não é justo reclamar, pois domingo é bom com chuva na praia ou
sol de alucinar calango à sombra. Sem correrias nem pagamentos, ter um dia pra
deixar pra depois o que quer que seja.
Pra
muita gente a semana começa na segunda, o domingo fique de fora do tempo útil.
Há que se tirar um dia para não fazer nada que tenha utilidade, uma vez que são
gratuitos o bem-estar, o prazer, a alegria. E o que faz feliz a mente,
recarrega o corpo.
Não
é o meu caso, pois gosto das segundas justamente porque sou fã de
procrastinações. Vivo cada dia. Procuro viver um dia de cada vez, mas defendo o
direito a adiar um segundo. Nada que seja preocupante, doentio. É que tirar um
cochilo não faz mal algum a quem administra o tempo sem revelar fantasmas em
lençol no varal.
Em
outras palavras, quem não gosta de segunda não precisa gostar mais do sábado ou
bater-se pela vagabundagem aos domingos.
Tendo
tempo, é bom aparar a grama do quintal. Numa segunda não vai dar, mas num domingo...
Que achado!
Confesso
que não sou muito bom cumpridor de promessas. Gosto de prometer o que possa ser usado contra mim. Tenho essa queda pelo que avilta, e me reduza, à ameba,
que se autoduplica sem esforço.
Acho
que uma ameba não se esforça quando vira duas.
A
preguiça me faz gostar da ideia de ser irresponsável enquanto o relógio me
permitir. Sem culpa, fico à toa.
Sou
melhor quando não me pressiono a ter expectativas.
Queria
ser uma pessoa menos ordinária, mas tenho cócega. Se me coço, eu rio. Tenho
facilidade para rir, gargalho. Emendo que gargalhar faz bem, é terapêutico e não
espalha ódio.
Sou
incapaz de desejar que chova no domingo só pra azarar quem adora andar de bicicleta
com a família. Daria vexame se atirasse pedra no telhado de quem brinca com o
cachorro na rua sem carros.
Sei
que eu não preciso agradecer a quem passeia de bicicleta como se a vida fosse perfeita
aos domingos, mas trato a segunda-feira como uma ponte pro ócio a quem não perde
tempo quando descansa.
Não
odeio quem me chama de traste, só ignoro.
Basta?
Volto à luta e abro minha caixa de e-mail.
Apago
o lixo de sempre. Aprecio as mensagens de quem me deseja uma boa semana, mesmo o
bom-dia de praxe. Entretanto, alegra meu dia e torna menos enfadonha a minha
semana, quem me dá um singelo OLÁ. Sem mais nada, simplesmente OLÁ.
O
que você está pretendendo com esse OLÁ, hein. Só pode ser pra me deixar maluco
de curioso. Que engraçado. Um OLÁ à solta, hein.
Pois
fique sabendo que eu posso muito bem responder na mesma moeda. Assim seja. Mando
pra você também, OLÁ!
Rodrigues da Silveira
Ibiúna,
dia 19 de julho de 2022.
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