quinta-feira, 28 de abril de 2022

A melhor ideia

 

A melhor ideia

 

É agora, pegue o telefone. Ligue, mande mensagem, envie e-mail. É momento de celebrar, sim. Telefone, faça os convites.

É hora de voltar-se ao que não está perdido. Faça com que a alegria de estar entre os seus seja uma porta aberta. Mostre-se a quem deseja entrar que o convite é por afeto, que encontrar-se novamente pode ser tranquilo. Em circunstâncias de camaradagem, abrace o instante.

Não coloque em dúvida que seja possível realizar o que a pandemia tornou arriscado que fosse realizado. Houve realmente a necessidade de distanciamento, mas não há mais. Faça com que o ambiente esteja acolhedor a quem pretende estar presente. Torne-se um presente.

Sim, o instante é de acolher sem medo, ou apesar do medo. Porque nem todo mundo sabe agir como o esperado, não suponha que haja o padrão correto de comportamento.

Quem for de rir que ria; quem goste de resmungar que resmungue; que sorria quem acha graça de quem resmunga de quem ri à toa.

Que este momento seja de reunir-se, ainda que a desconfiança faça pensar que tudo pode pôr-se a perder. Que as pessoas se encontrem, ainda que tantos continuem a não se entender sobre tantas coisas.

Um encontro não precisa necessariamente ser festivo. Fracassarão as reuniões cuja meta seja o congraçamento universal. Não que esteja fadado a fracassar, pois fracasso é coisa humana e não existe destino, ou força metafísica, que condicione o que os homens fazem.

Assim como nem todo mundo tem a obrigação de agradar a quem quer que seja, tem quem fique feliz por necessidade. E tem quem aja com naturalidade, sem ficar avaliando o quanto está sendo feliz. E tem quem procura a felicidade em tudo que faz, e isso afasta quem oferece a mão. Pois, não tenha a obsessão de cumprimentar sinceramente.

É ridículo não dar folga nem a si mesmo.

Não mostre que a sua prioridade é estabelecer condições para que pessoas queridas conversem em paz. Sirva água, suco e refri sem que isso acarrete, em retribuição, um diálogo educado. Sirva cerveja, vinho e caipirinha sem cobrar dignidade aos bêbados.

Querer controlar o máximo que puder é arrumar dor de cabeça, pois as pessoas podem, com razão, se irritar quando impedidas de escolher com quem sentar-se. Já as que perdem a estribeira com sol e chuva, essas se alegram fácil, divertem-se muito e, sem surpresa, tornam-se insuportáveis sem que se saiba por quê.

Havendo ocasião, comemore-se. Do jeito que for. Sem enfiar o pai ou a mãe no meio ou pondo-os à roda. Tirando as crianças da sala ou dando-lhes o microfone. Acendendo a luz, abrindo as janelas, correndo as cortinas. Pondo no futebol. Esquecendo de prender os cachorros ou soltá-los pela casa. Servir pizza às três da tarde ou pudim de pão antes do arroz primavera.

Ou disso um tanto ou daquilo um nada.

Por redundância tão óbvia, um Dia das Mães perfeito é o ideal.

Tem ideia melhor?

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 28 de abril de 2022.

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