sessão do cinematógrafo
entendimentos? a
tarde venta,
o azul concorda;
a camaradagem? a
pipa desalinha
o tempo pros
meninos.
fotograma dos
parceiros ─ a camisa amarela,
de verde.
sem artimanhas,
a criançada
não faz a roda
cantar.
e lá da tela? que
tela?
o aplauso não
apita, não dá trela,
não faz sonoro o
virtual
do tão
irradiante, do muito contagiante.
a correria, o
alvoroço, a balbúrdia?
sem faca, garfo
ou perfurantes:
o pleno do
lanche? esse é o plano ─
comer o quanto
antes.
breve, o uivo
jorra a urina:
o soco no rosto,
o rosto na terra, a terra aberta a certezas.
o caos não
respeita toldos e marquises.
como um poste,
mijado;
como um cão,
desgarrado;
pelas pulgas,
convulsionado.
queria acordar?
um gato qualquer
não lambe boca alguma;
tem sombras
dentro do olho, inchado.
o menino não
consegue despertar.
que sujeitinho
põe os seus olhos num copo d’água?
ele ainda deita
de tênis, querendo menos sonhos
do que o pão com
hambúrguer, que nem na televisão.
pras manobras na
parede?
falta-lhe vela,
e parede.
volte a sonhar,
menino, um dia você acorda.
(rodrigues da silveira, 2015)
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