amor de ator
na fila do
banco? ali
não desisto de
mim, ali não existo.
na missa, de
mente presente,
de joelhos?
andarei sobre as brasas?
não rezo nem
oro, não choro nem prezo.
quando sorvo a
fuligem do cafezinho,
não resisto ao
tranco do pigarro. aí também?
e digo que estou
aqui, eu insisto.
por que o meu
celular conduz a hora,
encaminha o
papo, faz-me curtir tal realidade?
nem tampouco
assim eu existo.
o mundo pode
mais por que me fode?
não é de longe
que me assisto.
vendo o quanto
não me amo tanto assim,
ajudo como posso
a chegar-me a mim.
faço que me
entendo capaz da existência.
se me desfaço de
mim? um fodido que nem parece.
persisto na sombriedade
do amor para comigo, mas é foda.
se abismo é
intervalo?
sou gripe, sou
tosse, sou fora de moda.
(rodrigues da silveira, 2018)
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