terça-feira, 28 de agosto de 2018


amor de ator


na fila do banco? ali
não desisto de mim, ali não existo.
na missa, de mente presente,
de joelhos? andarei sobre as brasas?
não rezo nem oro, não choro nem prezo.
quando sorvo a fuligem do cafezinho,
não resisto ao tranco do pigarro. aí também?
e digo que estou aqui, eu insisto.
por que o meu celular conduz a hora,
encaminha o papo, faz-me curtir tal realidade?
nem tampouco assim eu existo.
o mundo pode mais por que me fode?
não é de longe que me assisto.
vendo o quanto não me amo tanto assim,
ajudo como posso a chegar-me a mim.
faço que me entendo capaz da existência.
se me desfaço de mim? um fodido que nem parece.
persisto na sombriedade do amor para comigo, mas é foda.

se abismo é intervalo?
sou gripe, sou tosse, sou fora de moda.

(rodrigues da silveira, 2018)

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