retinas de pérola
não é preciso
coragem pra negar o que vejo.
o que vejo?
abro a página do
jornal, clico no caminho,
leio: as águas
do mar estão cansadas,
marcadas por
quilhas, hélices, óleo queimado.
as águas
preferem a arrebentação
ao desespero de
juntar plásticos de toda natureza.
(é natural andar
cheia de civilização)
não é medo negar
a coragem. e o que mais?
a pérola negra
esconde o meu rosto.
o espelho
afugenta os mortos.
a areia
comprometida, intoxicada,
fermenta a
doença, fomenta a morte.
pra dizer o que
não sei? invento, construo, fabrico
─ o instante não
é o bastante.
adeus castelo de
areia, adeus, adeus, adeus, e adeus.
(rodrigues da silveira, 2017)
Nenhum comentário:
Postar um comentário