quarta-feira, 1 de agosto de 2018


a alegria do ligeiro


a mão entra no bolso,
outra a detém. detida, atenta
à chama da atenção. inflamada,
algema a proclamada virilidade,
do honesto no probo, por digníssimo.

despeitada candura, dentes ao prumo,
certidão da ânsia, diplomas de outra perfeição,
o corrigido. a visagem mais cara, os parapeitos
ao que for cruzeiro, nuvens de impulso,
os aplicativos do além. se tem medo? atira.
mal dado o primeiro no grito, seca as vísceras;
na cadeia da corrente, faísca a palha.

subido nos juros sinceros, a terra faz o inferno,
a mão de pluma paga à bolsa
da mão, em pagamento ao berro, faz ouro,
e dos mais juramentados, o utópico das esquinas.

são essas mãos? zás! cortem o papo! ops...
de ouvidos colados em jurisprudências alheias?

encerro escarro julgo avalio, batismo.

por revolvido no asco, vamos, dê lá o caso, jogue
pelo céu de intimidades, alcova de trapaças, vá
e levada, deixe-se levar, dispensada no tenso,
seu pensar ajustado. que mão? apodada.

ai! que me escapa...

fico à vontade no ônibus,
seis da tarde? sete da manhã? à vontade.
vou cavando com o corpo o enviesado da passagem,
até o fundo, descarrego de celular.

ouço nos comentários o interesse,
múltiplo, todo abordagens.

imoral com os salafrários, pingados no mês a mês?
tomo pé pela concordância nos repúdios
à propina, ao jabaculê dos canários pixulentos.
tenho ovos pra vocês!

contra os vendeiros, ouçamos a volta.
os molambos dos craqueiros? ouçamos a volta.
os imprestáveis do prefeito? ouçamos a volta.

o político, a polícia? ninguém vê
o analista da tevê.
ninguém a falar o que se quer ouvir.
o uníssono da discórdia? a língua
é amor. a verdade que nos une?
pra governo do mundo? dá tudo pra si.
o suposto que nos une. a todos? no todo.

não fico à vontade,
brasileiro, um morador do brasil,
o que a terra dá.
quer comer, quer louvar, sequer deseja.
tira pela vergonha,
o oposto da honra, está na cara
o ganzá, o alheio da algazarra,
a valsa de um bolero, no rosto o rosto,
na mão a mão, dueto de parceria,
a prudência do leve, o coração que mama.

corre, caipora, corre!
e vão botar fogo no busão logo agora?

(rodrigues da silveira, 2015)

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