passado a limpo
jogue álcool
naquelas roupas, restos de outra opulência,
injustas no
corpo senil, de rugas óbvias
e fraquezas
improdutivas, inadequadas ao trânsito das gorjetas.
taque fogo, sem
piedade.
embeba de
gasolina aqueles trapos, ruínas de outro império,
de gente porca,
de mente torta, de pele morta,
de corpo morto
que fala, cospe varejeiras
e vocifera pelos
cavalos de um velho apocalipse.
com convicção, risque
o fósforo.
deixe queimar as
memórias,
as mais augustas
mentiras, as mais celebradas pantomimas.
sem dó, faça
torrar as sinapses do abismo.
como se o tórrido
fosse pro descontrole do tempo,
sinta pena,
promova a pena, apenas sentencie-se à pena.
tenha em si mais
argumentos que emoções,
seja a lei que
os irmãos ignoram, aplique-se ao convívio com o fogo.
como se o
marmelo no lombo arrancasse o couro,
faça de si o que
a chama é pra imbuia de todo totem.
pra dar-se ao valor
pelo que valha, queime o que for palha.
saída tímida dos
trapos cínicos, espasmo de moribundo,
a vela alcança o
breu dos arredores.
varridos da
aliança com a luz, os silêncios dizem a dor
em figuras
maltrapilhas, como um eco nada obscuro:
o que mais
dispersa, congrega.
como pudesse o
exultante, o hiperbólico, o contagiado,
o contagiante, o
apostólico, o condensado,
como a sentir-se
tão doce, muito adorável, de um amoroso intenso.
amores de amor
ou luzes do fogo?
povo das cruzes,
o vestido de amor exibe o respeito,
e garante à paz
o fósforo, seu fósforo à espera de outro agora.
junto no
simultâneo, no instantâneo adjunto:
o amor que me
lê, leio-me nele também.
tentemos a
comunicação ─ por sinais, por cores, por odores:
peça pelo sol;
trace um número; chame o nome.
ó morte em
vida... ó morte em vida... ó carnificina...
a que aspira,
hein? à dona aspirina?
(rodrigues da silveira, 2014)
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