os velhos tempos
as
regras do mercado comem bolachas pelos corredores;
contra
o valor dos ônibus, a verba solta;
grita,
no pré-pago, crente que está certo;
com
asinhas de curió, o pardal prega o mico.
fazemos,
sem nós, o bico dos cordeirinhos.
sobre
as fotos, os dias que chegam acumulados,
riscados
no pó das trilhas, chão de trilhos,
pelo
pão dos milhos, são o nó do carril,
abono
ao inditoso, carrinho de faltas,
o
comprado à vergonha, pleno de carências, e negado sem dó.
anda
carente, é?
meu
caro, anda querendo andador?
o
granito do arco-íris está no sopro que o emite.
o
vento da noite anterior solta murmúrios, nomes de dor.
tão
íntimos, os mendigos,
esculpidos
no ventre do olho próximo; beijam-se,
são
ferida exposta, entranhada cicatriz, sempre aberta.
ela
fala a sua face:
só
a miséria faz-se incurável?
exilado
em mim, tento entender-me comigo,
abuso
da fé de quem me odeia, menos recluso.
o
bode pisa, faz gorar a garganta?
degelar
cartões de crédito?
o
pó faz desaprendido o corpo?
faça
força pro esquecer.
no
laurinda? no scalamandré? na rua da bica? no matadouro?
descido
da serra, sua praia sem areia.
qual
a árvore de raízes líricas dá nas ramas o seco?
no
turvo da vista, erra além do curvão?
confesse,
lavre em lágrima o seu cloro mais fendido.
e
por mais pressa que haja, há em mim outros haveres,
de
gente que se destranca, sem demanda,
desocupada
pro alvoroço todo frio, do arroz com feijão,
guardiães
do chuchu. marmota do meio-dia, do cavo em mim,
o
sal do urgente come tudo, até o insosso;
o
que me apura menos puro dispara o filtro do escasso?
impostor
e cavernoso, pinto-me a jura dessa culpa,
o
que nem sinto.
(rodrigues da silveira, 2014)
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