o luar na garrafa
dividiremos o
rio, ó sorocabuçu,
em águas azuis,
outras vermelhas;
dividiremos a
correnteza do rio, ó cubatão;
em enluarada,
também ensimesmada;
dividiremos a
ponte sobre o rio, ó são francisco,
em à esquerda,
ainda à direita.
se de concreto
forjamos o fundamental,
permitimos o
fogo da madeira, do algodão e da lâmpada.
eia! tiremos
fotos, mandemos mensagens.
valentes, não
querer lixar a ferrugem da história.
o que o rio não
aprende: tentáculos têm fome.
como a luz não
come o sol, come os barracos e os homens.
tentáculos muito
apreendem da euforia
a manter os
olhos vidrados, de lunático fora do jornal.
o que a língua
esconde dos dentes?
a raiva lupina,
espumante, de ratazana no cio.
e faremos tudo
com louvor?
desde que nos
livremos da maldita rolha, o eclipse.
(rodrigues da silveira, 2016)
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