terça-feira, 21 de agosto de 2018


o luar na garrafa


dividiremos o rio, ó sorocabuçu,
em águas azuis, outras vermelhas;
dividiremos a correnteza do rio, ó cubatão;
em enluarada, também ensimesmada;
dividiremos a ponte sobre o rio, ó são francisco,
em à esquerda, ainda à direita.

se de concreto forjamos o fundamental,
permitimos o fogo da madeira, do algodão e da lâmpada.
eia! tiremos fotos, mandemos mensagens.
valentes, não querer lixar a ferrugem da história.

o que o rio não aprende: tentáculos têm fome.
como a luz não come o sol, come os barracos e os homens.
tentáculos muito apreendem da euforia
a manter os olhos vidrados, de lunático fora do jornal.
o que a língua esconde dos dentes?
a raiva lupina, espumante, de ratazana no cio.

e faremos tudo com louvor?
desde que nos livremos da maldita rolha, o eclipse.

(rodrigues da silveira, 2016)

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