sexta-feira, 17 de agosto de 2018


a corredeira


árvore de raízes movediças, os homens
sobem montanhas, descem seus andaimes,
entram pelas cavernas, querem o café passado na hora...
de caule arenítico, os homens
aumentam as nuvens, diminuem o vento,
circulam o ventre central, têm açúcar na manga...

da floração ao fruto?
os homens têm gosto, degustam-se por dentro,
são madeira fluída, engolem a própria baba.

minha vida paralisa em segredo?
o nicho da morte é o degredo.
o instinto me acanha com seiva de aranha?
teço-me labirinto. daí peço cuidado!
não alimente o poeta, esse bicho alopra;
é forte: morde mas não assopra.
quando aflora a sua semente,
não simplifica? não mumifica? unifica.

nada como fazer pouco do demente.

(rodrigues da silveira, 2016)

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