pra tirar os pés do chão
o retrato na
carteira
diz o amor mais
vívido na voz viva.
o prato de todo
dia
guarda o amor
que detergente, esponja e água
não conseguem
esgotar ralo adentro.
o sofá na sala
reserva pro amor
o que o coração
esquecido, que
parece ter esquecido,
apreende sem
vergonha, com razão.
e se de repente
o amor
puxar a coberta?
a madrugada
muxoxa os seus serenos;
ajeitar-me o
cabelo?
pra esconder a
calvície;
beijar-me a
testa?
com tal afeição,
pelo que atesta o serenado,
dou por mim nas
rugas do meu afeto.
nunca? jamais?
ou?
talvez...
talvez.
se ainda está
nas vielas da cabeça,
a caneta
permanece inocente.
não conheço quem
chame,
ou ouse chamar
ou experimente a ousadia
─ dizer este
amor com outro nome.
com os pulmões
nítidos
e o olhar
desanuviado, digo eu
com a maior
afetação que eu sinto:
mãezinha...
mamãe... mãe.
vinho verde,
contemporâneo
daquelas minhas memórias,
deixa-me
respirar, ir pelas saudades, maturar-me vivo.
uma vez que sou
pelas idades,
faço-me folha
aspirando ao alvo do branco.
voo ou vivo? vivo
ou voo?
se me é risível
arriscar o sensível,
embriago-me, e
tenho amor pela vida?
e como me mato
pra ficar vivo.
(rodrigues da silveira, 2015)
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