quinta-feira, 28 de junho de 2018


o indigerido das gentes


os cacos da palavra são o cacto
na boca que não vomita;
movimenta-se, vibra suas cacofonias;
marca com sangue a pronúncia de suas víboras;
o guizo de sua língua marca pelo passo;
fede a ferida de sua passagem;
aperta, é palavra; não faz por menos
nem o menos nem o menor;
troca o certo pelo corte;
é ferimento, corta;
vulva aberta que se fecha;
pus para o silêncio,
pele a todo contato;
pela voracidade da luz,
pelo susto deste lustro,
o casco dentro da boca:
pétala do asco,
pérola do que não basta,
é rastro de ostra.

(2016)



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