o indigerido das gentes
os
cacos da palavra são o cacto
na
boca que não vomita;
movimenta-se,
vibra suas cacofonias;
marca
com sangue a pronúncia de suas víboras;
o
guizo de sua língua marca pelo passo;
fede
a ferida de sua passagem;
aperta,
é palavra; não faz por menos
nem
o menos nem o menor;
troca
o certo pelo corte;
é
ferimento, corta;
vulva
aberta que se fecha;
pus
para o silêncio,
pele
a todo contato;
pela
voracidade da luz,
pelo
susto deste lustro,
o
casco dentro da boca:
pétala
do asco,
pérola
do que não basta,
é
rastro de ostra.
(2016)
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