segunda-feira, 18 de junho de 2018


o sofrimento


o menino, fruto passo de um amor,
sem o mistério de seus mantras, não diz por sua árvore,
sentindo suas bolhas de sempre ser o filho.
o menino aprende a contar,
e consegue separar o que seja ímpar, sozinho.

o menino, com seus cães abatidos,
queria em pé o boi de sua ninhada,
no pasto dos instantes, comendo a relva dos segundos.

o menino, suas perguntas cheirando a gordura,
rasga a garganta do queijo, veste a túnica do leite,
e sem coleira, caminha suas saudades.

o menino, lápide sem lápis,
usa a língua como luva, não a pelica de um punhal,
e conhece a menina pela espuma.
o menino, pelo bronze de suas asas,
repete os sinos da memória, conversa sua música,
até ficar surdo à meada boreal da aurora.

(2016)


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