quarta-feira, 6 de junho de 2018


o próprio do nome


alucinado, dividido ao meio por garrafas,
de plástico e de vidro, azuis e vermelhas, dividido. e perdido.
saído ao juízo de si, acentuado prejuízo, põe mais a perder-se,
e faz questão de dar de ombros pro ônibus do turno,
dá as costas àqueles carnês ao lado da fruteira, que é só bananas.
pelo que está perdido, sujo de suas precariedades,
nem a água daquelas garrafas há de cauterizar o machucado da mão,
há de calcinar o olhar, pro desencontrado, desajustado,
pro que venha a ser um convite, aceito por malgrado:
sem o siso de si, retirado da escala dos dias úteis,
que seja o carnaval doido, em agosto.

por isso, ó luar, não pede a outorga pra juiz do siso,
pra enfiar-se na roupa do juízo a conferir no grito
o fundo da sentença, sem a especulação dos carimbos,
prefere o refrão a compelir à dança, desconjuntada
e grupal, própria a lunáticos, de esqueletos no transe
por uma gorda golada,
como se aceitável aos transeuntes a passagem do bloco.

pensa, pensa, pensa,
quando as palmas forem batidas, os pés tomarão o ritmo;
põe na cabeça o mérito do acessório.

 assombração enrolada pelas prosas da memória,
da garrafa azul a água vem gelada,
não serve pra pensar que dará um jeito nas coisas,
a vida desconhecida posta num estojo de violino,
com suas mazurcas, polcas e maxixes, num piscar de olhos,
uns olhos vermelhos, de quem não dorme direito.

da garrafa vermelha, basta um dedo da pura e vem ao sangue
o natural, odorado, incolor e repelente do tédio,
pois espessa e passável pelos caninos é a claridade da rua,
ali, onde cães esquizofrênicos ficam latindo pros latões revirados
por ladrões civis, os empacados entre o pão embolorado
e o resto do leite na caixinha, de furo padrão.

na cama, ele rola como quem goza, na grama;
e sabe da neblina antes das sete e da neblina depois das dezoito;
é homem fermentado nas águas daquela licença;
é aquele que finge saber “o que há de pior no outro”;
e com entusiasmo cristalizado, ele tenta cantar,
e como deseja cantar a quem ignora unidos a lua e o luar;
ó manhã perdida, põe-se a cantar pela moça tarimbada do serviço.

(2014)

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