sexta-feira, 20 de julho de 2018


o caminho do ódio


tenha o olho no olho, agredindo,
pondo-se a modos de aprender.

não murmure nem urre, meta o murro,
força no certeiro, rápido,
no meio da fuça, prático,
flecha a toda, como sói.

sinta a farpa, sangre,
farrapo de arame,
tire-se incisivo.
afim ao pacífico?
borboleta acídia.

aceite-se ao perfurar-se;
ao cortar-se, deleite-se.

acometido a ferimentos;
na mutilação, a presença
do dedo, num instante, falto.
toleima reclamá-lo íntegro,
por repleto no inteiro, em todos,
nos outros, pelos dezenove.

 sinta-se, escorre-lhe o sangue,
aberto no baixo ventre.
sinta que pulsa o impulso,
já caído na pressão,
já ruída escuridão.

como um poema, afeito às regras,
por justificado no rescrevido,
mais que um atrevido.

aos homens do povo,
que, na feira de sempre, conferem explicações,
que, metáforas a postos, remontam artesãos,
que, de praxe ordinários, conversam suas dívidas,
tiram seus extratos da dúvida ainda não pega.

já ao depois, logo ali a padaria,
amanhecido como pão quentinho,
diante de trabalhadores indo pro ponto,
pro bem geral, do frêmito ao sentido:
vomite-se.

(rodrigues da silveira, 2014)

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