os originais da cópia
os
mortos em mim não param de falar.
precipitados
no coração do mar,
não
param de falar.
alçados
à língua das paliçadas, não param.
lutam
por mim, convictos da minha perdição;
abreviando
alegrias, prolongando compromissos;
repetidos
na certeza da missão cristalina,
são
água do mundo a quem afogado.
aterrado
em tal desterro,
peço
a palavra a quem não me quer ouvir.
e
não param, não.
querem
mulheres peladas nas camas dos quartos;
deitam
as pulgas nos pentelhos pré-pagos.
seguem
de ônibus, é estafante o trabalho de servir;
comem
apressados, em pé, uns camelôs de fino esporte.
e
não, não param de falar.
ando
enfermo. o que importa? o importante, mesmo:
mortos,
não parem de falar.
(2016)
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