sábado, 23 de junho de 2018


os caninos do último palhaço


como pode, a porta suporta
o tropel de vozes.

a maçaneta segura a lingueta,
controla as dobradiças.

a chave está surtada,
recolhida ao escuro do movediço.

os vidros, filmados e duplos,
resistem à fatuidade das cigarrilhas.

menos iluminado, o canto
reserva-se a sutilezas aracnídeas.

no veio das artérias desapercebidas,
brilha o despercebido.

como a sombra pode o silêncio,
a gargalhada suga, sem reflexão alguma.

(2016)


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