sexta-feira, 1 de junho de 2018


confiança


as velas do peito,
por que minto quando quero nascer de novo?

não me desculpa o vômito.

se o peixe era um badejo,
espumante e ácida, numa só, veio à golfada.
tenho pra mim a esperança.

os dentes pra morder e os olhos pra entender,
tenho pra mim a confiança.

nos buracos da flauta,
a inércia dos mundos ganha, em sacrifício,
a dor do reconhecimento.

não me pedem a vista nem me impedem os sorrisos.
tenho pra mim a cicatriz do improviso.

se já nem mais me entendo comigo,
estarei disposto ao pensamento de joelhos?

(2014)

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