sexta-feira, 22 de junho de 2018


a pétala dos caminhos


naquela pedra, a capela;
bêbados, turistas e demais mentirosos
corriam lá.

capelinha de comadres e camélias,
e das cartomantes; octogonal, caiada,
de cruzeiro às cegas, azul celeste.

no meio do parque tinha um coreto;
sedenta de paz, a oração trazia o próprio estribo.

em cada joelho, um lamento;
em cada olho, um julgamento;
em cada língua, o assim seja.

a capela iluminava-se,
fortaleza de cera das compunções;
da paróquia, nem pedia outra demão,
mas vieram em missões, as flâmulas e os repiques;
e só o vento relinchava,
sem dar pinote.

(2016)

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