a culpa
tem
a gramática, arma a sua teia quando fala.
quer
domar a fala: prepara a cova, não a sepultura.
contra
o que pensamos, dizemos o pedido;
sem
a colheita do massapê, escolhemos o chão mais nosso.
desconhece
a espera, engrandece o silêncio,
como
quem tem o dever de dar ao morto o direito à morte.
cada
um arranca de si o ferrão, nas coxas;
cada
qual carranca-se em vespeiro, dia após dia.
sabe
da lua, pouco diz sobre o luar;
com
olhos fundos, emenda-se um boneco à escuridão subordinada.
há
tanta mágoa entre as papilas tensas;
e
sem mel, salivamos e aferramo-nos ao ferrão da vespa.
cada
poeta faz entender por que se cala;
cada
lapso traduz em eclipse o desespero, fazendo azedo o poema.
(2016)
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