quinta-feira, 11 de novembro de 2021

No pix

 

No pix

 

Passo pela praça todo dia, mas não mais que de repente as árvores abatidas mexem comigo. E a tentação extraordinária de falar mais que a boca? Extravasando pelos cotovelos as revoltas de órfão de galhos, troncos e raízes de uma época realmente fabulosa, meu crânio parece tirado de um tonel de birita.

De jeito algum saem puros os sentimentalismos de criança, embora a imaginação indulgente me queira acomodado às glândulas, pois este menino do futuro, bobo com a realidade desvelada pelo átimo do susto, faz do suor frio tanta bílis a quente.

E finjo um nada que posso soltar o verbo sem dar com a língua nos dentes. Verborrágico, com o verniz de pessoa de bem com sua infância irretocável, entregam-me as fantasias de gente amorosa.

ꟷ O lugar sofreu tantos ajustes que ele agora é outro.

ꟷ Maquiagens, meu amigo, maquiagens.

O copo de uísque está pago, então, dá gosto esvaziá-lo.

ꟷ É vergonhoso! O dinheiro gasto com as maquiagens deveria ter sido usado com hospital. E pra ter equipamentos funcionando direito e pessoal ganhando salário digno não dá pra ficar pondo fonte, trocando fonte, tirando coreto, erguendo palco, trocando piso, trocando de novo.

Como tenho audiência, não dissimulo o olhar de apaixonado.

ꟷ O senhor está coberto de razão.

Mais do que audiência, é público que merece outra rodada.

ꟷ Ainda bem que concordam comigo, porque falo a verdade e só a verdade. O triste é que tem gente que não entende nada. Cacildis!

O gole da caninha pede salaminho, e a porção evapora.

ꟷ Putz.

A carteira tem vazamento, e as notas de cinquenta vão sangrando.

ꟷ Putz.

O dono do boteco seca o balcão, não a solidão que escorre.

ꟷ Não vou mentir nem enganar.

Ocorre-me a ideia de fazer um quatro. Todavia... Percebo uma dor nas costas. Porém... Não fujo do ridículo da corridinha no lugar.

ꟷ Não é porque estou meio alegrinho que não consigo provar que tenho fôlego. Tenho, sim, senhor.

Afinal, a consciência é uma experiência dos sentidos. A carne sente o mundo. A mente entende a substância da realidade porque traduz os sinais elétricos da matéria.

ꟷ A barriga não impede minha disposição de atleta.

Estou ligado. Sinto-me uma pilha.

ꟷ Pra que ter gato solto no bar? Raios!

Mal faço outro pix, vem esse rasteiro, traiçoeiro, esse chão molhado de espelunca nojenta. Parece que urinaram. Vomitaram. O fedor gruda na pele da gente, putz.

ꟷ Putz uma ova, rua!

As luzes da praça estão todas acesas. Faz sol ao luar.

ꟷ Que desperdício de verba pública!

Moscas e mariposas são atraídas pelo calor das lâmpadas.

A água da fonte não é um espelho confiável, tem um camarada bem xarope, que nem disfarça.

ꟷ Vai ficar encarando, é? Não tem medo de levar na fuça?

O sujeito se acha o tal. É o tal da fonte.

Não vai dormir na praça. É melhor que tenha ônibus.

Subir no palco não é opção, tem a escada absurda de inclinada.

No ponto, sem grana? Apago na hora.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 11 de novembro de 2021.

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Quebradas

 

Quebradas

 

O cenho fechado; a testa franzida; os pés de galinha pronunciados; o carmim do batom não escondia o enfezado de quem tivesse mordido a língua; sim, a funcionária tinha tanta raiva para descarregar.

Dona Benedita veio diretamente ao balcão.

Acabaram de avisar que tinha boleto vencido e bloqueariam a conta se não pagasse a dívida naquele dia.

Como faltava uma quinzena para o pagamento, do poço sem fundo dos aborrecimentos só tiraria moedas podres.

Era urgente, o chão iria se abrir a qualquer momento. Precisava de socorro. Que lhe arrumassem o dinheiro. Pra que o celular não ficasse com a linha bloqueada, lhe emprestassem logo.

Bendita Benedita, que trazia nas mãos outra receita.

A atendente foi para a calçada.

Pediu com calma, tentando explicar a situação, porém o irmão mais velho negou-se a ajudá-la. Ela o mandou praquele lugar.

Ligou pro caçula, e o telefone chamou, e chamou. Mesmo enfáticas, as blasfêmias não fizeram o irmão mais novo atender a chamada.

Dona Benedita queria apenas os seus remédios.

Teria de ligar pra mãe.

Teria de aguentá-la reclamando da vida, das madrugadas em claro, do quadril que doía quando andava mais rápido, do tornozelo inchado, dos olhos que embaçavam nem bem começava a ver TV.

Teria de ter paciência, muita paciência, como a de Jó.

Dona Benedita aguardava sozinha na fila preferencial.

Ligou pro banco. Checaram os dados.

Sem direito a crédito, xingando o diabo pela vida desgraçada, bateu o aparelho no vidro da fachada.

Dona Benedita sobressaltou-se com tamanha virulência.

Ela só fez aquele telefonema porque era preciso.

Estava enrascada, cheia de dívidas. Iriam cortar a luz. Iria ficar sem telefone. Já não tinha um centavo na conta. A situação era crítica. Vivia uma tragédia infernal. Estava angustiada, que nem tinha grana pro leite dos meninos. Era uma situação horrível, que não desejaria a ninguém. Estava pra cair no abismo. Era mesmo um desespero.

Dona Benedita permaneceu como estava.

Se não ia falar nada, fosse caçar sapo. Se nem ao menos iria gritar, fosse lamber sabão. Se ficaria esnobando o sofrimento da sua filha, da própria filha, que fosse pra casa do caramba.

Resolvida a agir de acordo com seu cargo, a gerente a mandou que voltasse ao trabalho. Tinha gente esperando fazia um tempão. Ela não tinha nada de ter deixado o seu posto. Com razão pra tanto, tinha quem estava impaciente. Ela que agisse com responsabilidade. Não era bom que agisse feito criança. Dava para entender, ser compreensiva. Todo mundo tinha problema pra resolver, ela também tinha, mas era errado querer resolver bem na hora do serviço. Ou entrava ou iria ganhar uma advertência por escrito, ela escolhesse.

Sentindo o baque, a balconista pegou a moto pra ir achar o pai que devia estar nalguma birosca de quebrada.

Sem nenhum arranhão, dona Benedita cruzou a rua.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 09 de novembro de 2021.

domingo, 7 de novembro de 2021

O incômodo

 

O incômodo

 

O dourado do líquido no copo era bastante parecido com urina, mas a cara do chinês à porta daquela loja de quinquilharias baratas não era de quem bebia mijo de golinho. Aliás, não beberia nem bêbado.

Pro seu poder de xamã continuar passando despercebido, ou ficaria prescrevendo poções purgativas a quem ignorasse a calma alimentada por seus chazinhos de ervas não avalizadas por vigilâncias, mormente a neurológica, o leitoso esbranquiçado era um véu protetor.

Com as sabedorias milenares tão enraizadas nos subsolos de seus pensamentos, como um buda cego de um olho, o velho bebericava sua infusão de folhas maceradas toscamente com as mãos.

As suas, trêmulas e amareladas, eram de fumante inveterado, não as de um feiticeiro invocador dos princípios ativos de plantas obscuras trazidas de contrabando de províncias exóticas.

Mexendo de vez em quando a beberagem com a longuíssima unha suja do mindinho, era o homem que vigiava as veredas.

Entretanto, não era guardião de caminhos quaisquer que andarilhos afoitos desejariam trilhar por se resumirem a farejadores adestrados a nunca perder o rastro, a rumarem pro reino da pacificação espiritual.

Do ponto de vista dos administradores, a correção diria que o idoso bebedor de chá estava na bifurcação pra orientar o fluxo no interior do estabelecimento: a entrada e a saída dos consumidores teriam de estar sob a observação aquilina dos donos, afiadíssimos no caixa.

Era óbvio que havia a sobreposição de significados, confundia-se o dever de agir com honestidade com a honestidade de agir obrigado.

Ou seja, uma vez dentro da loja de um e noventa e nove: nada mais natural do que pagar pelo que se compraria; nada mais anormal do que ter mão leve pra encher o fundo da bolsa com o que nem era preciso.

Como negócio claramente familiar, desabonavam-se furtos.

Sem prejuízos revoltantes nos ombros, o servo de olho morto tinha um tique sutil quando bafejado pelos acasos de algum lampejo. Era um raio, um fazedor de fogueiras, um redemoinho nas águas da mente.

Por que a sorte precisou relampejar justo na hora agá?

Neurótico, o azarado queria, insistia, puxava pelo ar; tinha que se lembrar de tudo, ansioso.

Era um cafifento, pigarreava, admitia estar confuso e sua confusão tirava a certeza de ter sonhado com a dezena.

Um caipora. O número que o globo disse era pra guardar. O destino foi dado como privilégio. Eram dois dígitos. Na cabeça, seria o 14.

Era um catingueiro, pois, nervoso, começou a disparar uns traques fedorentos. Pudera, a caneta surtou. Queria anotado o 61.

A dezena tinha vida. Girou no um, e virou 16.

E cadê a paz!

Se não ouvisse direito, perderia a bolada. Pra marcar no volante o que a tinta da esferográfica pedia registro. Precisava acalmar, pra ouvir de novo o metano profético.

Que crueldade! Os malvados o tocaram da loja vazia.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 07 de novembro de 2021.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

A chave do mistério

 

A chave do mistério

 

A leitura das mãos, conforme quem a faz com garantias tarimbadas de profissional, não tem nada de mágico nem de delírio, pois é maneira precisa de inspecionar o que dizem as linhas da palma quanto ao que está entranhado no amanhã.

Em outras palavras, o futuro está mesmo condicionado à fisionomia manual que o olhar treinado no ofício tem a capacidade de decifrar com segurança, ou o pagamento nem seria cobrado antecipadamente.

Sem necas de entender o que parecem querer dizer os volteios dos urubus no céu do meio-dia, veja-se a curiosidade lutando se esconder atrás da cegueira dos céticos.

Trazendo pro cotidiano: um molho de chaves revela muito.

A menor informa que o bairro tem ladrões de bicicleta. Se a corrente com cadeado não impede a ousadia dos cobiçosos, torna, no entanto, mais demorado o furto do camelo já bem surrado.

O sumiço da magrela não tem o poder de ocultar a azáfama da vida, porque fica difícil prestar atenção em tantas coisinhas à toa.

As tetras denunciam o medão de que seja roubada a casa que fica naquela rua mal iluminada, que tem um montão de poste com lâmpada apagada, todas queimadas só Deus sabe desde quando.

As três fechaduras são para forçar os ladrões a arrombar as janelas que dão pro quintal, território dos pitbulls de pouquíssimos amigos.

A penca tem outras chaves, que nem merecem destaque.

Afinal, quem liga para uma caixa de correio fixada no gradil de ferro cujo portão reforçado tem uns dois metros de altura?

Sem ver no que tropica, o idoso é interpelado.

O senhor é cego por acaso? Não é por acaso, está espumando.

O senhor é surdo por acaso? Nada disso, está com raiva.

O senhor é mudo por acaso? Está atacado.

Na bronca, precisando correr pro banco pra que não a declarem em bancarrota, topando fugir dos tontos que querem armar barraco, a anta tenta não bancar a tonta?

Como tem gente rota, escrota, sem norte nem rota.

Todavia, quando o amor ao próximo é incontrolável, as aparências não enganam. Pois cambalhotas, saltos mortais, mergulhos de cabeça, nada disso irrita quem se diverte com facilidade. Pouco adianta insistir com a ferocidade dos fatos, como se a realidade ferroasse.

Quem se mantém maduro, lúcido, saudável, curado do desespero, tem fé na firmeza do pensamento; sente-se robustecido pelas certezas; sabendo que ri como quem julga, esse vive opaco à luz das dúvidas.

Querem ir na roda-gigante, no carrossel, no jogo dos espelhos, mas pra sair no fim do túnel?

Quanto mais tolices são faladas, menos a cachola se desapruma.

A chave do cofre está no comedimento, na moderação, no equilíbrio que abre o apetite, mas apetite seletivo, muquirana, somente flexível a loucuras afáveis, devaneios administráveis, anseios lucrativos.

Como sua calça tem bolso dentro do bolso, o idoso desliga o alarme do seu super SUV assim que topa apertar o controle.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 04 de novembro de 2021.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

O rouxinol

 

O rouxinol

 

Num belo dia, em que de repente a realidade do momento se impõe à ordem natural da vida, quebrando o conforto de se estar confiante de viver um instante de cada vez, rompendo-se a parede de se apresentar ao público, prelúdio em si, uma vez revelando-se ser no mais íntimo do tutano da cervical, como testemunha única, só uma pessoa só, mente transtornada com a circunstância de se descobrir fendida, por sujeita a variações de tempo e lugar, porque nem se via como objeto maleável, comum a seres de boa e má vontade, tomando-se refém do insatisfeito, do meditado pela respiração dos dedos, do melancólico, não como um roedor, já a emanar, piano piano, essa boniteza onírica.

Num belo dia, despertado pelo susto de descobrir-se desejando dar milho às pombas e, constatada a falta, providenciar sem detença, pois o que se abre nesse momento, se não fala com todas as letras, dá-se a perceber que seja sensivelmente efêmero, que o mundo obedeça às regras que as ciências humanas ainda não fabularam, que tal rouxinol fique pasmado com o nunca experimentado, avesso ao natural, então, que a pomba voe mais alto do que o cruzeiro e pouse no cimo antigo e enferrujado.

Num belo dia, reconhecendo-se alquebrado pela faina de seguir na cantoria angustiada de querer o bocado de um pão, do pãozinho de sal que a boca compreende que precisa, sem que os suores, os calos e o pigarro noturno convençam os ratos de que a ratoeira necessária nem é traiçoeira, é instrumento de matança dos mais práticos.

Num belo dia, apaixonado pelo amargo dos entusiasmos que fazem tremer os dedos, deixam cansadas as coxas, inclinam as retas pra que as fraquezas esgotem mais e mais as forças de suas pernas e de seus braços, deseja que o rato vá ao queijo, a mordida dispare o aço certeiro daquele treco ceifador, ainda que o rouxinol recomece a gorjear.

Num belo dia, mesmo que o medo traga a sua escada, que os pés subam temerosos cada um dos degraus, que a subida continue apesar do erro de medir a distância entre a chegada e a despedida, ainda que seja móvel, instável e perturbadora a impressão que a realidade esteja à margem do raciocínio lógico, ao que se arroga impecável, ao singelo que a arrogância diz emocionalmente compreensível, então, o coração solta outro pulso, acelera e desacelera, comprime e imprime e reprime, sufoca e expande, a ponto de querer o que desconhece, o que ignora, o que busca dar por sabido, entendido e classificável, assim se espera que o rato, atraído pelo cheiro, saiba ao menos morrer de vez.

Num belo dia, a boca quer o porquê da coalhada, da muçarela e do parmesão, mas a vaca, ruminante leiteira, nem sabe do pasto, quer ele esteja limitado em aparência, escritura e porteira, quer ele esteja verde, ocre, seco, úmido, apertado, amplo ou barato, e raro.

Quando penas e canto fazem o rouxinol, sua belezura desencanta.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 02 de novembro de 2021.

domingo, 31 de outubro de 2021

Oração de são Niemals

 

Oração de são Niemals

 

Estou precisando de um gingado mais agitado, pois vivendo minha vidinha de pessoa pacata, sensata, meio caricata, nem notei quando a maritaca calou, já que ouvia mal as estripulias do coração.

Se me observasse com descontração, provavelmente teria sentido a calcificação das entranhas. Não que tal cuidado pudesse evitar o que agora constato: não foi súbito que virei pedra.

Como pedra inconsciente dos meus limites, posso apenas imaginar o que podem fazer comigo. Suspiro, e arrepio.

Se souberem da minha condição, vão querer tirar onda. Com o nível baixando, e baixando, ficarei mais seco, muito arredio, deserto a subir sarcasmos áridos, como gente escassa de molejo.

Pedra não samba?

Sei não, pode ser que eu seja estorvo a quem não quer interrompido o fluxo. A quem a vida é que nem correnteza, rio em movimento, águas renovadas a todo instante, barreiras tanto estancam que estagnam.

Cadê a primeira pedrada na vidraça da pretensa estagnação?

Que o bico da pretensão cante os metálicos de brocas de dentista, aqueles zunidos que chispam dores impiedosas antes de tocar o dente da gente, e bem antes.

E o dente vira pelota a estilhaçar a fachada da pessoa adormecida, já pegando sentir uma dorzinha. Como vulcão furibundo, é a sensação enregelante de que o futuro dói, e dói tão abruptamente.

Posto que é dor, não me convém descartar como absurda a questão de empacar à beira desse Vesúvio. Eu deveria sair correndo, uma vez que a lama dessa história não é flor que se cheire. Pois magma é terra ardente e, por fazer estátua quem bobeia diante da cólera, é mortal.

Sem dúvida, pedras que quebram vitrais também quebram vitrôs.

Aos pulos, perereco no lugar.

Rapidinho, fico certo de que os engenhos psíquicos que me deixam governar os instintos dão graça ao sentimento de entender o mundo. Pressa curtição bacana, a realidade sugere o ritmado.

Que espirituosa é a vida no flauteado.

E confio em mim quando sinto a areia quente da praia acarinhando a sola fina dos pés, ouço o mar ninando os carneirinhos mansos, bebo o que o coco oferenda quando rachado, a sua água deleitosa.

Pena que esse eldorado além do horizonte não tenha buracos como os buracos do meu mundo; e os pedregulhos do acostamento dão uma sova nos joelhos.

Ralado, ardendo, pedindo beijinho doce na pele avariada, quebro a corrente e atiro a bicicleta no poço dos medos atávicos.

Xô! Vatimbora! Suma no poeirão!

Que venha quem possa acorrer.

Santo das causas imaginárias, ouça esse clamor, acuda quem não dança nem quer dançar. Ainda que saia da cadeira, requebre conforme a música, se errar o passo, que eu fique no compasso. Mesmo que eu não seja diamante no Danúbio Azul coreográfico, que eu possa flutuar, turmalina no miudinho, e vá adiante, e vá devagar, devagarinho. Afinal, não é só o bamba que samba no pé todo santo dia, são Niemals.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 31 de outubro de 2021.

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

A promessa

 

A promessa

 

O pai e a mãe falavam. Não paravam. Tinham fôlego, e era porque dentro do peito de cada um deles devia ter balões. Só podia ser. Eram balões grandes. Pela montanha de palavras, eram grandões.

Por que não cantavam? Por que nunca cantaram pra ela dormir?

Alguém cantando deixava o mundo menos barulhento.

Precisou entrar rápido, passar à frente deles, ou acabaria entre os dois. Sempre era obrigada a ficar escutando aqueles tagarelas.

E tagarela era palavra gostosa de falar. Mas não falava em voz alta, pensava. Ta-ga-re-la, assim mesmo, pondo ar bem devagarinho.

Já os pais viviam falando apenas de coisas daquele mundo que não era nada divertido. Sequer deixavam que perguntasse por que aranhas faziam delicadas redes. Não eram redes, eram teias. Isso.

Será que a teia servia pra pegar orvalho? Será que a aranha punha a teia pra pegar o ar? Será que ela pensava diferente da aranha, que moscas serviam pra encher a barriga? Será que barriga cheia não tinha espaço pro choro, será?

Choro não era só ar, tinha lágrima. Choro era uma teia que pegava lágrima que fazia barulho. Um barulho baixinho, que era pros pais não ficarem assustados, achando que ela era mosca presa na rede.

Os olhinhos dela, dessa criança no paraíso da lágrima baixinha, na infância a meia-voz, num recanto com a porta trancada, nesse espelho que a fazia olhar além do vidro do carro, os olhinhos nem conseguiam pegar direito o que tinha lá fora. Era porque o carro estava correndo.

O carro nem era dos pais. E foi desse jeito que o pai gritou, agitando o braço direito esticado reto. Aí, ele berrou: táxi!

Então, o carro parou pra que entrassem. Sentassem apertado atrás. Encolhessem suas pernas. Pedissem pra que os bancos da frente não incomodassem os joelhos. Tudo, e sem que parassem de falar.

Mesmo com o homem desconhecido, um que ela nunca tinha visto antes, estava dirigindo como se os pais mandassem nele. E devia ser, porque mandavam em tudo. Então, o pai e a mãe não tinham vergonha do que estavam fazendo, e ficaram falando sem parar.

Pareciam nem respirar. Aquilo era esquisito, porque mostravam ao estranho que podiam falar sem respirar.

Será que mais gente sabia fazer aquilo?

O bem-te-vi sabia cantar. E cantava o próprio nome.

Bem-te-vi! Bem-te-vi!

Será que tinha algum carro que desse asas aos pais? Será que eles tinham reparado como as aves voavam? E será que aves voavam pra longe por que precisavam deixar bonito um lugar triste?

A sua tristeza era chamada de infelicidade, mas ela não sabia.

Aquela criança tinha três anos. Não sabia que os dedos das pontas da mão eram polegar e mindinho. Ela fazia como a mãe ensinou. Tinha que botar a força do dedão no dedinho pra poder esticar bem os outros dedos.

Ela faria três anos logo. Mas isso ia demorar muito?

Como prometeram que ia poder comer o primeiro pedaço, que esse logo chegasse voando.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 28 de outubro de 2021.

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Felicidade cabotina

 

Felicidade cabotina

 

O aborrecimento era de lascar. Sentia que zanzaria mais que meia hora. Não passaria no teste de resistência, pelos pulmões de fumante e pelas canelas de sedentário. Mas iria andar até que o gênio azedado ficasse aceitavelmente ácido, ainda autêntico ferino.

Profissional a engolir sapos; amador ao digerir o mau humor.

A calibrada ojeriza dependia de não perder de vista o trabalho a ser feito de cabo a rabo, ou outra pessoa o faria. Porque é trabalhando que manteria o indigesto ganha-pão. Pois, é bufando nas ruas que seguiria confiante que o contracheque tingiria de azul fugaz a sua conta.

Odiava amar a lida que amava odiar tão cotidiana.

Com esta lógica no sangue, foi firme e forte nas passadas. O fígado entrevado foi camarada consigo, as babas peçonhentas da agenda do cacete escorreram pelo rosto na pernada de quinze minutos.

Tinha essa qualidade da qual nunca se envergonhava: sabia tolerar os rancores porque aprendera calibrá-los.

Não vacilava, agia.

Às vezes tropeçava, coxeava. Só não admitia tombos bestas.

A topada da vez foi com um embromador. Ele veio certo de que iria ganhar dinheiro fácil. Convencido de que a sua lábia de mascate tinha o condão de vender espeto de pau a ferreiro sem casa.

O senhor tem jeito, já começou assim que estancou diante daquela mão espalmada a engrossar as suas rugas de zangado, não me leve a mal, mas o senhor me parece ser uma pessoa que tem bom gosto e que sabe dar valor ao que lhe causa prazer de modo verdadeiramente claro, honesto, sem as simulações do falso, da imitação barata que tem gente que vive querendo empurrar a alguém como o senhor, mas que, por ter instrução e mente esclarecida, a sua pessoa não tem tempo pra ficar dando atenção às coisas de segunda categoria.

O senhor não tem o tipo de ser gente que toma sorvete só no calor. Com o perdão da minha liberdade, dá pra notar que o senhor sabe que um sorvetinho cai bem nos dias de chuva e no inverno.

Não fique bravo comigo pela minha sinceridade, mas a maioria nem tem ideia da importância de tomar sorvete com regularidade. Ele é rico em energia calórica que a pessoa precisa consumir diariamente.

Percebo que o senhor está achando esquisito. Se não tenho isopor nem carrinho, é seu direito desconfiar de mim.

Veja aqui, eis o meu cartão. Pode pegar, é sem compromisso.

Nele tem imagens da máquina de fazer sorvete. É incrível, o senhor pode fazer no momento que achar bom tomar um sorvete delicioso.

No cartão tem alguns sabores. É no site que o senhor vai ver a lista completa das frutas. Tem açaí, abacaxi, morango, creme e chocolate. Aliás, a variedade de chocolate é uma coisa louca.

Não deixe pra depois. Vamos! Não perca a oportunidade que estou lhe apresentando agora. Pois não tem felicidade maior do que tirar uma casquinha na hora que a gente quer.

E o tombo?

Foi no bolso, com o telefone roubado.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 26 de outubro de 2021.

domingo, 24 de outubro de 2021

Caretas

 

Caretas

 

Meu coco, não o meu mas o do Caetano, desanda a fazer festa com as minhas minhocas mais chegadas a um forrobodó.

Bateu uma inquietude, resolvo encará-la. Opto dar uma volta. Coisa rápida, só pra não ficar encafifado. Quando a ideia enrosca, fica dando volta sobre si, acabo perdido.

Pra não ficar perdido de vez, eu entro na briga. Quero vencer, tento. Para que a euforia não me derrube no primeiro assalto, topo a luta sem fazer cara feia, pois não estou a fim de me entregar mal tenha sentido a perdição da alegria.

Nada de unitê, que eu nem luto caratê?

Melhor seria se entrasse num ônibus. Nem me importaria qual, que me levasse por aí. Porque aprendi a gostar dessa química entre nós ꟷ da máquina aceleradora de paisagem com os olhos à procura de alívio.

Só que a janela mostraria o mundo, com pirações diferentes do que a minha. Então, sentindo o tapa, eu ficaria emburrado, franzindo a testa e, reduzido ao enfezado, acabaria ainda mais contrariado.

Se não é nada alegre um rosto triste com testa franzida, quem não tem nada com isso acha muito chato ficar ouvindo gente aborrecida.

Portanto, fique dispensada a aporrinhação.

Assim, eu largo de mim?

Um passarinho canta à beira da janela. Muito bom ouvir o bicho, ele tanto mexe comigo que até assovio. Parece que levo jeito, e assovio.

O meu coração pega o pulso. A mente ignora as tormentas e faz sol na alma desperta pelo mundo. A ansiedade vai pro fundo e, decantada, fica encoberta por alegrias, cantorias, maravilhamentos.

A música é mesmo um ótimo remédio pra uma cabeça precisando se desprender das âncoras do desgosto, do desespero, do luto.

Assobio com gosto. A selfie confirmará o charme do meu bico.

Por que, então, o cantador avoou assustado?

Deve ter sido pelo ruído do telefone ou por minha decepção ao dar com a foto tremida, que deleto relutantemente. Mas quero histórias pra contar que muito me envaideçam.

A vida tem dessas coisas, de forçar a gente a aceitá-la sem ensaiar, mas me rebelo e rebolo como posso. Pra não tomar na fuça o que não quero que me enfiem goela abaixo, bolero um dois pra lá, dois pra cá.

São bagatelas. Que bom. Tô desejando singelezas bacanas.

Opa! Opa! Será uma pegadinha?

Duas notas de cem estão dando sopa na calçada, justiça seja feita: na manha e sem sanha, vou salvá-las das pisadinhas. Porque tem hora pra tudo, até pra entrar no papel de mendigo beberrão vagabundo que não tem onde cair morto.

Diz o crápula que trago em mim que não preciso ter razão pra estar certo. Diz o rábula interior que não é dividindo o que mais tenho que o espírito me elevará das vilanias, é dividindo o que tenho menos.

A tentação do ordinário me quer maluco pelo fora do comum?

Chuchu beleza!

Meio gagá de tanto loló, meio lelé de tanto jiló, tiro o engasgo pelo gogó, entre a miséria e a mágica, a minha língua tão à míngua, mostro-a pros caretas picaretas sem graça.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 24 de outubro de 2021.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

O estado da arte

 

O estado da arte

 

Um homem caminha.

Esguio, esquálido, figura feita de farpas da existência, um esqueleto andante. Embora magoado por tristezas, suporta bem os espasmos de felicidade. Lírico, flui prazeres pelos pés. Lunático, pensa a gravidade pela espinha. Feito outro, e pedestre.

O homem que caminha poderia o sorriso do menino que ainda traz a cada passo, mas nem carece demonstrá-lo assim tão presente. Tem que ir aonde precisa. Com o fôlego curto das passadas, vai.

Engana-se o menino que caminha quando lhe ocorre a vontade de comer açaí. Sombreando o que acha que seja bom pra toda gente, tem certa a consciência iluminada, tanto que nem lambe a tigela.

Ao andar a esmo, vai sem saber o quanto quer e o quanto pode.

O homem que não para tem ossos andarilhos.

O homem que conserva vivo o menino que assume os trejeitos de bom filho, obediente na fila indiana, cabisbaixo nas repreensões, gentil nos salamaleques dos casórios familiares, estourado da breca quando obrigado às confissões tão pouco cristãs, deprimido pelas quireras no mercado, falador convicto na bobageira da cerveja emendada noutra, é aluno impertinente quanto aos saberes da vida.

Não pode ser, todavia: é gente que recusa tomar lições.

A primeira lição pela metade informa que fica ao piano somente por uns minutos. O aborrecimento de repetir as escalas do livro de estudos é só pra apuro técnico, tão-só.

O punho de empinar pipa pega bronca queixosa à professora, que, em vez de lamentos, segue ouvinte deslumbrada dos pianíssimos mais sensíveis daquela alma em crescimento. Que o maravilhoso da música aflore menos da mecânica e mais do improviso, isso escapa àqueles tímpanos pré-moldados.

Falta céu ao espírito.

Com suas camadas sobrepostas, a mente do homem que caminha é uma cebola. E fazem chorar os humores da transpiração.

E deseja livrar-se do tédio, o cansaço mental que o põe pra baixo, a espiral do remorso, na vergonha do vexame de afundar-se frustrado, mas o mal começado resulta em malogro, um concertista de fancaria, o derrotado no palco abandonado às pressas, o latente no fastio de ir.

Indo, também, por causa das tantas ignorâncias.

Tantas, tantas dores.

Conhecesse a palavra, saberia sentir-se perdulário. Mas não culpa os pais por querer o que não falta. É por isso que deseja.

A segunda lição, embora avaliada ao instante da experiência, é a que diz que o adolescente que esconde a criança sabe separar sílabas poéticas. Pra que o Camões valha a pena, tirar dez é o fim. Porém, até visto de fora, o remendo do soneto tá ardendo pra cacete.

Mas a vida anda.

Longe de cabeçudo a enlaçar o mundo, no homem que desengessa o adolescente que desnorteia a criança que acorda a infância vive uma pequinês chamada Suzy, tal qual aquela boneca.

Engraçado, só reparando de pertinho que dá pra sentir que naquele homem late uma boneca animal.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 21 de outubro de 2021.

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Folias cabotinas

 

Folias cabotinas

 

Quando o assunto é sério, melhor não rir alto. Faça o esforço de ser pacato, e ria por dentro. Capriche no sorriso. E se possível, sorria como se no seu íntimo a timidez ostentasse um recato de pessoa realmente capaz de miudezas.

Tente uma criatividade que lhe sirva de subterfúgio, a mão na roda que ajude a sustentar a aparência de gente castrada: aponte o elefante que as nuvens formam de repente.

A formação no céu deve ter significado imprescindível. Quem sabe surja alguém que domine os mistérios pra traduzir a mensagem.

O que pode facilitar a compreensão do que está sendo estampado com vapor d’água naquelas condições de temperatura e pressão?

O vento, que não pode ser varrido pra debaixo do tapete.

Como o ar não tem modos, a presa fica difícil de ser vista a olho nu. Peça, então, se alguém tem luneta, não precisa ser um telescópio, que traga imediatamente. Insista, pegue o endereço de quem tem binóculo. Ou o elefante vai virar um chapéu, ou virar apenas outra nuvem.

Não se desvie do foco. Permaneça no encalço da explicação que a muitos pareça útil, pois o esclarecimento ofertado cheira à preguiça.

Respire fundo. Sinta o odor. Não tem massa cinzenta queimando.

Talvez seja pelo pescoço ensopado do almoço, mas os duendes da cachola se exercitam surrupiando os estímulos químicos da lucidez.

E tchauzinho, vigília.

Alegue que frango é o que há, e dê palmadinhas na pança.

O que tem influenciado o inconsciente coletivo altera primeiro quem se alimenta pouco, e muito mal.

Mantenha uma certa indiferença, os demais nem notarão que forças hipnotizantes da TV, tão poderosas quando o som está baixo, podem ter conseguido domesticar sua mente.

No fundo da zona enevoada os cochilos são irrecusáveis, portanto, fuja dos cicios imaginários.

Olhe ao redor, não invente de cantar.

Os giroscópios narcotizantes comem trechos da civilização; os civis têm que se ajustar aos transtornos da livre circulação.

Os cidadãos que telefonaram não têm medo de confirmar ligações, pois o dever é de todos. Sem exceção, é de todos.

E formulários são preenchidos? Depois da intervenção.

Essencial pro fluxo contínuo de pessoas na calçada, que as marcas não traumatizem as crianças. Pois vaias não algemam, mas acutilam, e mantêm o sangramento.

Com olhos tirados da letargia à força, motoristas podam do trânsito a vertigem. Assim, ninguém que sofre um bocado quando o mundo vai além de trinta por hora conhece o dramático do transe.

Sem que a identidade secreta seja negada a quem tira fotos, filma e narra tudo, celulares são usados contra quem está vulnerável.

Procure gritar enquanto pensa.

Querem debelado o espírito que vive embriagado?

Caramba, parta pra ignorância do riso solto.

Caraca, pés descalços, seja permitido entrada sem unhas feitas.

Tá na cara que o galo canta pra soltar a franga?

Solte-se.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 19 de outubro de 2021.

domingo, 17 de outubro de 2021

O prodígio

 

O prodígio

 

À espera da consulta, o homem sentado na poltrona ao lado foi logo dizendo que hoje em dia todo mundo acha que pode sair dando opinião sobre qualquer coisa. Então, ninguém mais se poupa do ridículo de se expor uma besta quadrada com ares de gênio que entende de tudo.

Sem desviar os olhos da tela, rolando-a pra cima e pra baixo, disse que as postagens têm cada absurdo.

É irritante alguém dizer que paciência dá em árvore. Pra quem vive de quebra-galho, a ideia de cortar excessos é uma azucrinação. Óbvio que não é razoável sobreviver só de cerejinhas.

E o óbvio demais afeta-lhe os nervos, fazendo vingar a semente do desprezo. Ele sente um desdém ferrado de gente que vive pra passar pra frente disparates energúmenos, como se não existissem indivíduos com cérebro maior do que uma cabeça de repolho.

Mesmo quando o mundo parece exigir, não usa a alma como estufa pras plantas nefastas que sugam a bondade que traz no peito.

Estrila somente quando lhe ferve o sangue. Em geral, é calmo. Se sugerisse, os amigos poderiam pôr a mão no fogo pra provar que é um cara de excelentes virtudes.

Fosse o caso, no celular tem uma montanha de fotos dos gatos, dos cachorros, da calopsita que come na mão. Uma bela de uma arca pra Noé nenhum desfazer do seu apego à bicharada toda.

Outro dia, sua filha levou uma das suas mais queridas amiguinhas pra feira de ciências. Mesmo com o pessoal tendo medo da Cléo, ainda é uma beleza de jararacuçu criada desde o ovo.

O nome é por causa da Cleópatra, aquela que foi rainha do Egito. Mulher famosa pelas astúcias das suas artimanhas, a víbora dançava os véus pra endoidecer os poderosos que lhe caíam aos pés, matando-os com o fel da língua bem na boca mesmerizada.

Sua cobra, aliás, tem o porte imponente de uma deusa etrusca.

Isso se já soubesse que elas tinham espírito magnânimo na justiça e eram de tal amorosidade que todo mundo embasbacava e passava a adorá-las sem essas pirraças de ateus comunas das redes.

Ele não acredita, mas não vai na internet só pra viralizar ódio.

Se tem quem goste de ficar se gabando de entidades esquisitas, já que o seu dever é respeitar, não tem nada de ficar com gracinha.

Sem dúvida, esses adoradores de bizarrices haverão de se ver no Juízo. Resta-lhe amá-los com o coração leve, inteiramente justo, livre das impurezas questionáveis. Afinal, é devoto de outro amor, do amor verdadeiro.

Ainda bem que sua vida é uma maratona; se não fosse, teria horas de sobra pra ficar corrigindo tantas bobagens. No fim das contas, iria acabar sendo confundido com esse povo que fica fazendo dancinha só pra aparecer.

Longe de querer a multiplicação de joinhas, é do tipo que busca ter argumentos sérios com palavras diretas, porque age tendo em vista o instante certo pra compartilhar ideias.

E o milagre em cima da pinta?

O dentista fechou aquela matraca deixando-a de boca aberta.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 17 de outubro de 2021.