Quando
o assunto é sério, melhor não rir alto. Faça o esforço de ser pacato, e ria por
dentro. Capriche no sorriso. E se possível, sorria como se no seu íntimo a
timidez ostentasse um recato de pessoa realmente capaz de miudezas.
Tente
uma criatividade que lhe sirva de subterfúgio, a mão na roda que ajude a
sustentar a aparência de gente castrada: aponte o elefante que as nuvens formam
de repente.
A
formação no céu deve ter significado imprescindível. Quem sabe surja alguém que
domine os mistérios pra traduzir a mensagem.
O
que pode facilitar a compreensão do que está sendo estampado com vapor d’água naquelas
condições de temperatura e pressão?
O
vento, que não pode ser varrido pra debaixo do tapete.
Como
o ar não tem modos, a presa fica difícil de ser vista a olho nu. Peça, então, se
alguém tem luneta, não precisa ser um telescópio, que traga imediatamente.
Insista, pegue o endereço de quem tem binóculo. Ou o elefante vai virar um
chapéu, ou virar apenas outra nuvem.
Não
se desvie do foco. Permaneça no encalço da explicação que a muitos pareça útil,
pois o esclarecimento ofertado cheira à preguiça.
Respire
fundo. Sinta o odor. Não tem massa cinzenta queimando.
Talvez
seja pelo pescoço ensopado do almoço, mas os duendes da cachola se exercitam surrupiando
os estímulos químicos da lucidez.
E
tchauzinho, vigília.
Alegue
que frango é o que há, e dê palmadinhas na pança.
O
que tem influenciado o inconsciente coletivo altera primeiro quem se alimenta
pouco, e muito mal.
Mantenha
uma certa indiferença, os demais nem notarão que forças hipnotizantes da TV,
tão poderosas quando o som está baixo, podem ter conseguido domesticar sua
mente.
No
fundo da zona enevoada os cochilos são irrecusáveis, portanto, fuja dos cicios
imaginários.
Olhe
ao redor, não invente de cantar.
Os
giroscópios narcotizantes comem trechos da civilização; os civis têm que se
ajustar aos transtornos da livre circulação.
Os
cidadãos que telefonaram não têm medo de confirmar ligações, pois o dever é de
todos. Sem exceção, é de todos.
E
formulários são preenchidos? Depois da intervenção.
Essencial
pro fluxo contínuo de pessoas na calçada, que as marcas não traumatizem as
crianças. Pois vaias não algemam, mas acutilam, e mantêm o sangramento.
Com
olhos tirados da letargia à força, motoristas podam do trânsito a vertigem.
Assim, ninguém que sofre um bocado quando o mundo vai além de trinta por hora
conhece o dramático do transe.
Sem
que a identidade secreta seja negada a quem tira fotos, filma e narra tudo, celulares
são usados contra quem está vulnerável.
Procure
gritar enquanto pensa.
Querem
debelado o espírito que vive embriagado?
Caramba,
parta pra ignorância do riso solto.
Caraca,
pés descalços, seja permitido entrada sem unhas feitas.
Tá
na cara que o galo canta pra soltar a franga?
Solte-se.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna,
dia 19 de outubro de 2021.
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